A jornal, hacker diz achar mensagens vazadas de “interesse público”

Walter Delgatti Neto afirmou à Folha, em entrevista por escrito, da Papuda, que jamais pretendeu ver as informações e que não as editou

Andre Borges/Especial para o MetrópolesAndre Borges/Especial para o Metrópoles

atualizado 28/08/2019 19:19

Hacker confesso de contas do aplicativo de mensagens Telegram de centenas de autoridades do país, incluindo procuradores ligados à Operação Lava Jato, Walter Delgatti Neto, o “Vermelho”, de 30 anos, preso em Brasília desde 23 de julho (hoje, no presídio da Papuda), afirmou, em entrevista exclusiva por escrito ao jornal Folha de S.Paulo que considera as informações acessadas “públicas” e, por isso, não achava que acabaria preso por repassá-las ao site The Intercept Brasil.

“Utilizei da minha formação técnica para acessar informações públicas, online… Espantei-me com o seu conteúdo e tornei, pequena parte do acervo, domínio público. Tecnicamente, não tive qualquer dificuldade em acessar as informações…”, declarou nas respostas ao jornal.

E completou: “Ainda não entendo a razão pela qual personalidades públicas, bem como funcionários públicos, tanto temem a revelação das suas atividades online. Por qual razão esconder-se? Afinal, pleiteiam e recebem atenção pública. Prestaram concursos públicos, sob regras conhecidas e pré-definidas. Muitos são selecionados por associações político-partidárias ou por laços familiares. Têm benefícios das suas exposições públicas. Acessar e revelar o que fazem é crime; mas o que fazem e dizem deve ser protegido e mantido em sigilo, ainda que em prejuízo da sociedade? Estranho, não?”

O hackeamento, o repasse das informações ao site e a subsequente divulgação em série de reportagens, no que ficou conhecido como “VazaJato”, criou enormes constrangimentos aos procuradores da Lava Jato – especialmente ao coordenador da força-tarefa em Curitiba, Deltan Dallagnol – e ao ex-juiz e hoje ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro.

A troca de mensagens vem revelando que havia grande proximidade entre o juiz e os procuradores, o que abriu caminho para alegações, por parte de acusados e condenados pela Lava Jato, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de conduta imprópria nos julgamentos.

Delgatti reafirmou não ter modificado as mensagens repassadas ao Intercept: “Não editei ou alterei qualquer conteúdo”.

Um dos quatro presos na Operação Spoofing, da Polícia Federal (PF), Delgatti chamou de “calúnia” a informação dada pelo advogado de um dos outros presos – Gustavo Elias Santos – de que teria ouvido do amigo “Vermelho” a revelação de que a ideia seria vender as mensagens ao PT. “Em relação à fala do advogado, cada um é responsável pelo que diz e faz… Minha defesa irá tomar as medidas cabíveis no que tange a essa calúnia. Vale ressaltar, mais uma vez, que nunca procurei nenhum integrante do PT e tampouco tive a intenção de vender o material. Alguém pretende provar o contrário?”

Delgatti é suspeito de praticar os crimes de organização criminosa e de “invadir dispositivo informático alheio, conectado ou não à rede de computadores, mediante violação indevida de mecanismo de segurança e com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização expressa ou tácita do titular do dispositivo”, cuja pena é de 3 meses a 1 ano de prisão.

Na entrevista, ele também explicou porque procurou contato com a ex-deputada Manuela d’Ávila (PC do B) – alegou saber que ela conheceria o jornalista Glenn Greenwald, do Intercept – e sustentou que, como aluno de direito, avaliou que havia ilegalidades na atuação da Lava Jato, e isso o teria levado a copiar e repassar as mensagens.

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