metropoles.com

PL da Dosimetria joga pressão sobre o Senado em semana decisiva

A poucos dias do recesso, senadores não têm acordo e querem mudar projeto da Câmara que pode beneficiar Bolsonaro

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES
Davi Alcolumbre e o Deputado Hugo Motta - Metrópoles
1 de 1 Davi Alcolumbre e o Deputado Hugo Motta - Metrópoles - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES

A falta de apoio ao Projeto de Lei 2162/2023, conhecido como o “PL da Dosimetria”, no Senado Federal coloca em risco o calendário apertado estipulado pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O senador amapaense pautou o projeto já para a quarta-feira (17/12), mas o texto proveniente da Câmara incomoda senadores por aliviar penas para além dos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.

Alcolumbre se comprometeu publicamente a encerrar a discussão do projeto ainda em 2025, antes mesmo de a Câmara chancelar o relatório de Paulinho da Força (Solidariedade-SP), na madrugada da última quarta-feira (10/12). O projeto também alivia as penas para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e os demais condenados na tentativa de golpe de Estado.

Após ser pressionado, Alcolumbre, que queria discutir a Dosimetria diretamente no plenário para acelerar a tramitação e garantir a votação até o recesso, enviou o projeto para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), cuja relatoria ficou sob responsabilidade de Espiridião Amin (PP-SC). Este passou a discutir com os pares alterações no projeto da Câmara, especialmente nos trechos sobre a progressão de regime.


A Anistia que virou Dosimetria

  • O Projeto de Lei nº 2.162/2023, de autoria do deputado Marcelo Crivella (Republicanos), concede anistia aos participantes de manifestações políticas desde 30 de outubro (data do segundo turno das eleições em que Bolsonaro é derrotado por Lula);
  • A urgência do projeto foi levada ao plenário e aprovada por 311 votos em meados de setembro, após acordo costurado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta;
  • Após ser indicado para a relatoria, Paulinho da Força (Solidariedade-SP) mudou o teor do texto, deixando de lado o perdão judicial e determinando redução de penas;
  • Inicialmente, o PL desagradava tanto o governo, que não queria nenhum tipo de benefício para os condenados pelo 8 de Janeiro e muito menos para Bolsonaro, quanto a oposição, que queria anistia “geral e irrestrita”;
  • De supetão, Motta decidiu levar o parecer de Paulinho ao plenário na terça-feira (9/12), rompendo a resistência da oposição. O projeto acabou aprovado por 291 votos.

PL da Dosimetria joga pressão sobre o Senado em semana decisiva - destaque galeria
5 imagens
O palácio do Congresso Nacional
Senador Esperidião Amin
Deputado federal Paulinho da Força (SD-SP), relator do PL da Dosimetria, na Câmara
Davi Alcolumbre e Hugo Motta
Plenário do Senado Federal
1 de 5

Plenário do Senado Federal

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
O palácio do Congresso Nacional
2 de 5

O palácio do Congresso Nacional

Ramiro Lucena/Camâra dos Deputados/Reprodução
Senador Esperidião Amin
3 de 5

Senador Esperidião Amin

Waldemir Barreto/Agência Senado
Deputado federal Paulinho da Força (SD-SP), relator do PL da Dosimetria, na Câmara
4 de 5

Deputado federal Paulinho da Força (SD-SP), relator do PL da Dosimetria, na Câmara

Breno Esaki/Especial Metrópoles
Davi Alcolumbre e Hugo Motta
5 de 5

Davi Alcolumbre e Hugo Motta

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES

O PL da Dosimetria estipula que a progressão de regime se dará aos presos que tiverem cumprido 1/6 da pena no regime anterior, com regras específicas para crimes de maior gravidade (como hediondos e feminicídio). Atualmente, o piso é 16% da pena. A medida vai na contramão do que é proposto pelo PL Antifacção, que endurece as regras de progressão de regime.

Como mostrado pelo Metrópoles, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator do PL Antifacção no Senado, disse à coluna de Igor Gadelha que a atual redação apresenta “problemas” e pode atingir outros crimes para além dos cometidos nos atos na Praça dos Três Poderes em janeiro de 2023. Para evitar isso, o Senado avalia formas de restringir o projeto aos atos antidemocráticos.

O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), disse que, “como está”, a Dosimetria “não passa”. Questionado, na segunda, o senador baiano pontuou que “não tem como fazer” um termômetro de qual acordo será construído em relação ao pedido de vista. Se a maioria quiser vista de quatro horas, será de quatro horas, mas, se tiver maioria para mais de um dia, poderá ser vista maior, o que adiaria o debate para 2026.

Para Otto, a apresentação de um substitutivo seria uma solução melhor para a Dosimetria. Porém, reconhece que isso adiaria ainda mais o debate, já que essa estratégia prolonga a tramitação. Depois de aprovado, o projeto vai à Câmara e, se deputados fizerem mudanças, volta ao Senado para a palavra final dos senadores.

Paulinho rebate

Ao Metrópoles o relator da Dosimetria na Câmara, Paulinho da Força, rebateu as críticas e disse que “não tem nenhuma possibilidade de beneficiar outros crimes”. Também ressaltou que o embate com o PL Antifacção deverá ser superado a partir da sanção presidencial, já que prevalece a última alteração na lei.

“Na hora que ela vira lei, ela se sobrepõe, mas a possibilidade de atingir crimes comuns é zero. Não há nenhuma possibilidade. Senadores que estão falando isso, ou não leram o projeto ainda, ou foram mal assessorados, ou estão agindo de má-fé”, disse à reportagem.

A pressa de Alcolumbre

O presidente do Senado frisou que havia se comprometido com as lideranças de pautar a iniciativa e defendeu a “atualização” da legislação sobre crimes contra instituições democráticas, nos termos do projeto de Paulinho da Força.

Aliados de Alcolumbre avaliam que a insistência em votar o projeto não se dá só porque o senador amapaense se comprometeu, mas também, diante da proximidade do fim do ano, porque quer encerrar a discussão dessa pauta para poder começar 2026 com outras prioridades no radar.

Há uma notável fadiga entre os parlamentares com o tema – ora chamado de “anistia”, ora de “dosimetria”. Caciques do Centrão querem tirar esse projeto do caminho para poder iniciar o ano eleitoral com pautas que não representem tamanho desgaste para o Congresso.

No último domingo (14/12), foram realizadas manifestações contra o Projeto de Lei da Dosimetria e contra a atuação do Congresso em todo o país. Governistas voltaram a endossar as críticas à cúpula do Legislativo, em especial contra o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), depois que a Casa aprovou o PL que diminui a pena para condenados pelo 8 de Janeiro.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?