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Brasil

PF intima Galípolo e Campos Neto para depoimento sobre Banco Master

PF também ordenou a intimação do dono do BTG Pactual. Todos devem ser ouvidos na condição de testemunhas

09/09/2026 19:46, atualizado 09/09/2026 20:29
Arte / Metrópoles
CPMI INSS Campos Neto e Galípolo

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central (BC), e Roberto Campos Neto, ex-presidente do banco, foram intimados pela Polícia Federal (PF) no âmbito das investigações do Caso Master. Eles devem prestar depoimentos sobre a fiscalização da instituição financeira controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro.

A PF também determinou a intimação do dono do BTG Pactual, André Esteves. O diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, também deverá prestar um novo depoimento.

A informação foi divulgada pelo Estadão e confirmada pelo Metrópoles.

Os investigadores avaliaram que seria necessário ouvir Galípolo e os demais após eles terem sido mencionados pelo servidor afastado Paulo Sérgio Souza, ex-chefe adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) do BC, em depoimento à PF.

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Todos deverão ser ouvidos na condição de testemunhas e, portanto, terão a obrigação de dizer a verdade sobre os fatos.

As determinações são de 3 de agosto e fazem parte do inquérito que apura suspeitas de que dois servidores do Banco Central, Belline Santana e Paulo Sérgio Souza, teriam atuado em favor do banqueiro Daniel Vorcaro.

Santana é ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) do BC, enquanto Souza é ex-chefe adjunto do departamento.

Os dois foram afastados administrativamente pelo Banco Central em janeiro deste ano, durante a investigação interna sobre o caso. Em 4 de março, o ministro André Mendonça, do STF, determinou novo afastamento, desta vez por decisão judicial, no âmbito da Operação Compliance Zero.

Ambos negam favorecimento indevido ou envolvimento em irregularidades.

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Menções a reuniões com Galípolo e Campos Neto

Em depoimento à PF, Paulo Sérgio afirmou que Gabriel Galípolo teria resistido a enviar ao Ministério Público Federal (MPF) uma comunicação de crime relacionada às suspeitas envolvendo a venda do Master ao Banco de Brasília (BRB).

Segundo o diretor afastado, a necessidade de encaminhar a comunicação ao MPF foi informada tanto ao diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, quanto a Galípolo, em pelo menos duas reuniões.

Na primeira delas, ocorrida entre o final de fevereiro e início de  março de 2024, Galípolo teria pedido um voto de confiança para a solução do BRB. No segundo encontro, no final de junho, o diretor do BC teria afirmado que não faria comunicação ao Ministério Público por gestão temerária, pois a informação que havia recebido internamente era de que “havia fraude na carteira”.

Paulo Sérgio também mencionou um episódio envolvendo o Banco Master, o BTG Pactual e Roberto Campos Neto.

De acordo com o servidor afastado, em 29 de novembro de 2024 Ailton de Aquino informou a ele, por ligação, que o BTG havia concluído uma due diligence – processo de análise prévia de uma empresa antes de uma negociação – no Master e identificado uma suposta fraude de R$ 32 bilhões.

O diretor de Fiscalização do BC teria pedido então para que Paulo Sérgio fosse a São Paulo e acompanhasse uma apresentação do BTG sobre o caso, marcada para 3 de dezembro. A reunião contou com a presença de Campos Neto, então presidente do Banco Central.

Ainda segundo o depoimento, o BTG fez a apresentação, mas não entregou documentos que comprovassem ou detalhassem a suposta fraude bilionária.