PEC 6×1 completa uma semana no Senado; governistas tentam abrir debate
PEC é bandeira de Lula para eleições; pressão agora recai sobre Senado, onde governistas preveem cenário mais difícil com Alcolumbre
atualizado
Compartilhar notícia

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 — seis dias de trabalho para um de descanso — completou uma semana à espera de ser analisada no Senado. O texto foi aprovado na Câmara dos Deputados na quarta-feira da semana passada (27/5).
Agora, a pressão se volta para o Senado. Os aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) veem a medida como uma das principais bandeiras sociais para a campanha de reeleição em 2026.
O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), anunciou na terça-feira (2/6) que reunirá os líderes partidários na próxima semana para discutir a tramitação da proposta.
Nos bastidores, porém, governistas reconhecem um cenário mais complexo. Diferentemente de Motta, Alcolumbre mantém uma relação menos alinhada ao Planalto e acumulou desgastes recentes com o governo, especialmente após a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF).
A tendência é que a PEC seja encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e, se avançar, siga para uma comissão especial antes de chegar ao plenário. Alcolumbre já indicou que não pretende acelerar a análise da proposta.
“Essa matéria tramitou na Câmara dos Deputados por quase cinco meses. A presidência do Senado vai fazer uma reunião na semana que vem e vai reunir os líderes partidários, os senadores e as senadoras, mas muito especialmente o senador Otto Alencar, presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado Federal, que tem sob sua comissão o dever de discutir esta proposta de emenda constitucional”, afirmou.
Em seu discurso, o presidente do Senado também defendeu que a Casa não atue como uma “instância de carimbo” das decisões da Câmara e reforçou que a proposta precisará passar pelas comissões antes de qualquer votação em plenário.
“Essa proposta vai ter de tramitar nas comissões, porque há cobrança de todos os senadores de que todas as matérias possam passar, no mínimo, por uma comissão”, disse.
Para a aprovação na Câmara, a PEC contou com forte articulação do governo junto ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que se aproximou do Palácio do Planalto nos últimos meses e ajudou a conduzir as negociações para a votação do texto.
Congresso e o fim da escala 6×1
- PEC do fim da escala 6×1 completa uma semana na Câmara e agora depende do Senado, onde Alcolumbre discutirá a tramitação com líderes partidários;
- Aliados de Lula tratam a proposta como uma bandeira para 2026, e atribuem a aprovação na Câmara à articulação do governo com Motta;
- Governistas veem mais dificuldades no Senado, onde Alcolumbre tem relação menos alinhada ao Planalto e defende tramitação sem aceleração;
- Base do governo pressiona por votação ainda neste semestre, mas reconhece que o calendário eleitoral e o rito do Senado podem atrasar o avanço da PEC.
Governistas preparam terreno
A base do governo busca aprovar a proposta antes das eleições de outubro, mas admite que a tramitação no Senado exigirá uma articulação mais cuidadosa. Nos bastidores, parlamentares observam que o funcionamento da Casa Alta concentra mais poder na presidência, o que torna a construção de consensos entre os líderes ainda mais relevante para o avanço da PEC.
“Espero que isso possa, pelo menos no mês de junho, ter um grande desfecho. Afinal de contas, depois vem o processo eleitoral, que complica e adia as coisas, e aquilo que poderia ser resolvido hoje acaba ficando para depois da manhã, o que é perigoso”, declarou o presidente da comissão especial que analisou a PEC, deputado federal Alencar Santana (PT-SP).





