PCC e CV terroristas: Durigan diz que medida dos EUA pode afetar o Pix
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que governo trabalha para que a população brasileira não seja atingida pela classificação
atualizado
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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira (29/5) que a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas pelos Estados Unidos (EUA) pode atingir o Pix.
“O que pode acontecer de maneira muito despropositada, é que pode-se considerar a partir de uma informação que chega às autoridades norte-americanas, dizendo que facções estão usando Pix e, portanto, um ataque ao Pix, uma suspensão ao Pix, uma medida que vem de uma corte norte-americana que constrange bancos”, afirmou em entrevista à Globo News.
De acordo com o ministro, o governo vai trabalhar para que a população brasileira não seja atingida pela classificação dos EUA. De acordo com ele, o país está aberto ao diálogo e a cooperação internacional contra o crime organizado, citando, inclusive, o acordo de cooperação com os Estados Unidos sobre o tema.
“Nós estamos aqui de todas as formas fazendo um esforço grande para abrir diálogo, manter institucionalidade do país, a democracia e esse tipo de infraestrutura fundamental”, disse.
Para ele, as facções criminosas precisam ser combatidas no Brasil por meio dos instrumentos oficiais do país, segundo o ministro, não é necessário a procura de “respostas em outros lugares”.
“O que nós estamos preocupados é em proteger a população, seja das organizações criminosas, seja desse ataque eleitoral travestido de ato de designação que não cabe, vai prejudicar a economia brasileira, prejudicar as famílias brasileiras”, destacou.
Prejuízos a economia brasileira
O ministro afirmou também que mesmo as empresas americanas estão compreendendo a importância da ferramenta de pagamento instantâneo para o dinamismo da economia brasileira.
“A gente vai entrar em contato, explicitar isso mais uma vez, que a própria posição das empresas norte-americanas, tem mudado de um estranhamento inicial para um apoio ao Pix. Basta consultar as próprias empresas norte-americanas. Então, é muito descabido a gente pensar nesse tipo de situação. O que eu garanto ao público que nos assiste é que faremos todo o esforço e não haverá prejuízo ao uso do Pix pela população brasileira”, afirmou.
Durigan reforçou que o país pode ser prejudicado em diversas frentes após a ação dos EUA, citando em especial os investimentos estrangeiros no país.
“Imagine se esse risco o Brasil começar a subir por conta de uma decisão artificial como essa, em que se gere uma preocupação do investidor de que o Brasil é o maior de risco. Então você pode ter sim o aumento de risco do país”, disse.
Outro ponto citado por Durigan é uma possível interferência na lista de pessoas que podem entrar no país, ferramenta que pode ser utilizada para fins políticos, o ministro afirmou que a situação está sendo estudada pela Polícia Federal (PF), mas causa receios.
“Se eventualmente hoje você tem uma lista de pessoas que fazem parte de organizações terroristas que não podem entrar no Brasil e a polícia cumpre isso, é preciso ver o que que vem de demanda dos Estados Unidos para ver se vai ter impacto nessa lista de nomes e pessoas, o que pode de novo ser aqui um espaço discricionário, ou seja, um espaço aberto para você usar de manipulação e de ataque a pessoas específicas, muitas vezes para fins políticos”.