PA: Justiça condena time por desviar verba da escolinha para o profissional
Parauapebas Futebol Clube usou verba pública de projeto infantil para bancar time profissional e terá que devolver recursos

A Justiça do Pará condenou o Parauapebas Futebol Clube em uma ação popular por desvio de verbas públicas que deveriam financiar escolinhas de futebol. Entre 2018 e 2022, a Prefeitura de Parauapebas, no Pará, repassou mais de R$ 3 milhões ao clube por meio de termos de fomento financiados por emendas parlamentares.
A decisão é da última terça-feira (3/11), à qual o Metrópoles teve acesso com exclusividade. Embora o objetivo declarado das parcerias fosse promover a iniciação esportiva de crianças e adolescentes de 6 a 17 anos em sete bairros da cidade, os recursos bancaram a estrutura do futebol profissional.
Parauapebas Futebol Clube está atualmente na terceira divisão do campeonato paraense.

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A sentença do juiz Lauro Fontes Junior trouxe que o cruzamento de extratos bancários e folhas de pagamento revelou que a conta destinada ao projeto social pagou os salários de Luis Carlos Figueiredo Cruz, técnico contratado para comandar a equipe profissional do Parauapebas durante a segunda divisão do campeonato paraense de 2021.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAlém da remuneração do treinador, os fundos das escolinhas quitaram repasses para atletas registrados profissionalmente no clube, taxas e boletos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) , honorários de advogados e pagamentos ao próprio presidente do time.
“Os documentos mostram que as parcerias foram concebidas, nos papéis internos, para o futebol profissional, embora o objeto formal fosse a iniciação esportiva ou a formação amadora. Em 2022 a própria autorização falava em qualificar jovens para a realidade do futebol profissional, e o objeto só foi reescrito por exigência da coordenadoria de convênios, sem mudança de finalidade”, diz trecho da decisão.
Servidores dentro do clube
A decisão judicial apontou ainda a atuação de agentes públicos na comissão técnica do time profissional. Servidores contratados temporariamente como monitores e instrutores pela Secretaria Municipal de Esporte e Lazer, órgão responsável por fiscalizar os convênios, integraram a comissão técnica do clube durante competições oficiais.
Em um dos casos, um instrutor contratado pela secretaria recebeu R$ 42 mil da conta da parceria enquanto mantinha vínculo ativo com a prefeitura, prática expressamente vedada pela lei.
“Nenhuma lei municipal autorizava custear a equipe profissional de clube privado com o recurso pactuado para a formação de base, e a aplicação nesse sentido foi feita sem autorização legal, embora as parcerias não tenham sustentado toda a equipe. Mostram que contratados temporários do Município integraram a comissão técnica do time profissional durante os contratos e as parcerias. Mostram que os registros de atendimento repetem, em todos os termos, falhas que retiram desses registros o valor de prova, e que profissionais registrados no sistema federativo do futebol foram incluídos no plano ou pagos pela parceria, em incompatibilidade objetiva com o objeto que não se atribui a esses profissionais”, detalha o juiz na sentença.
Diante do desvio de finalidade e da ausência de prestação de contas válidas, a Justiça declarou a nulidade dos atos de execução e de aprovação de contas.
O Parauapebas Futebol Clube foi condenado a restituir os valores desviados aos cofres públicos municipais e teve a indisponibilidade de bens decretada para garantir o ressarcimento do erário.
O Metrópoles acionou o clube, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.
