Oxigênio começa a chegar em Manaus, mas situação ainda é preocupante

Cerca de 70 mil metros cúbicos de oxigênio chegaram ao estado por meio de balsas. Médicos na linha de frente, porém, ainda estão assustados

atualizado 16/01/2021 11:42

Material cedido ao Metrópoles

Enviados especiais a Manaus (AM) – Hospitais de Manaus (AM), onde as hospitalizações por Covid-19 crescem diariamente, receberam, na noite de sexta-feira (15/1), algumas remessas de oxigênio, mas o gás é suficiente apenas para algumas horas, de acordo com os médicos.

Cerca de 70 mil metros cúbicos de oxigênio chegaram ao estado por meio de balsas, diretamente de Belém (PA).

“Essa nova remessa vai garantir a retomada do equilíbrio do abastecimento da rede de saúde do estado e já começou a ser distribuída nas unidades de saúde”, comunicou a Secretaria de Saúde do Amazonas (SES-AM).

A Maternidade Balbina Mestrinho recebeu outros 30 cilindros de oxigênio, na tarde de ontem, resultado de uma doação da empresa Gol Linhas Aéreas.

Além disso, parceria entre voluntários e o governo do Amazonas abastecerá 200 cilindros de oxigênio em outros estados, como Pará, Pernambuco e Goiás. A ação conta com apoio da Força Aérea Brasileira (FAB) e do Ministério da Saúde.

Uma médica que trabalha na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (Fcecon), onde também se realiza tratamento para a Covid-19, informou que chegaram 15 cilindros na unidade.

“Depois a polícia veio pegar cinco, para levar ao Serviço de Pronto Atendimento [SPA] do Alvorada e do Colorado. Temos oxigênio somente até as 17h”, disse, em entrevista ao Metrópoles.

A profissional de saúde, que preferiu não ser identificada, afirmou que os pacientes passaram uma noite “péssima” por causa da instabilidade. “Um pesadelo, estamos abaladíssimos”, relata.

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Desespero nos hospitais

Parentes e amigos dos doentes por Covid-19 em Manaus vivem um drama que parece não ter fim, com a escassez de oxigênio e o aumento de casos, que provocaram um verdadeiro colapso no sistema de saúde da capital.

Na quinta-feira (14/1), foram realizadas 254 hospitalizações devido à doença causada pelo SARS-CoV-2 na capital amazonense, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM). Esse é o maior número registrado em um só dia, desde o início da pandemia do novo coronavírus.

Junta-se a isso o aumento diário de casos da doença e a alta da taxa de ocupação de leitos de unidade de terapia intensiva (UTI), o que faz com que ambulâncias sejam utilizadas como leitos improvisados nas portas de hospitais. Na quinta, em outro recorde: Manaus notificou 2.516 diagnósticos de Covid-19.

Para se ter dimensão da crise, ainda falta oxigênio para atendimento nos hospitais da cidade, mesmo com o reforço de aviões da Força Área Brasileira (FAB), que transportou 18 toneladas do gás na quinta e outros 5 cilindros na sexta-feira (15/1), e da imensa onda de solidariedade que tomou o país, comovido com o drama em Manaus. Artistas e cidadãos comuns se uniram para doar de cilindros de oxigênio a garrafas de água para as unidades de saúde da capital amazonense.

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A dentista cirurgiã Leidimery Maia, de 34 anos, está com o pai, o autônomo Luiz Carlos, de 54, e o avô, o aposentado Manoel Carmo, de 72, internados, pelo menos desde o último dia 4, em dois hospitais da capital amazonense. Ambos sofrem com falta de ar.

Luiz deverá ser transportado a São Luís, no Maranhão – um dos estados que oferecerem ajuda para receber pacientes com falta de oxigênio.

No total, 235 pacientes, além de profissionais de saúde, serão levados a outras unidades da Federação, segundo a Secretaria de Saúde do Amazonas. Há voos programados de Manaus com destino a São Luís (MA), Teresina (PI), Natal (RN), João Pessoa (PB), Brasília (DF) e Goiânia (GO).

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