“Não fui indiciado, não fui denunciado”, reage presidente da Funai

Áudios mostram Marcelo Xavier conversando com acusado de crime ambiental e prometendo atuar para ser “sustentação”

atualizado 25/08/2022 23:38

Presidente da Funai, Marcelo Xavier Valter Campanato/Agência Brasil

O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Marcelo Xavier, reagiu na noite desta quinta-feira (25/8) às revelações de que teria sido conivente com um servidor do órgão, suspeito de arrendar ilegalmente terras indígenas no Mato Grosso. “Não fui indiciado, não fui denunciado”, publicou nas redes sociais.

Xavier chamou as reportagens sobre o caso de “mentiras” e afirmou que o próprio Ministério Público Federal (MPF) concluiu que o presidente da instituição “não possuiria qualquer interesse no desenrolar das apurações”.


Com autorização da Justiça, a Polícia Federal (PF) interceptou uma ligação de Xavier. Nela, ele oferece apoio para Jussielson Silva, ex-fuzileiro naval e ex-chefe da Funai no município mato-grossense de Ribeirão Cascalheira e que, inclusive, já está preso.

A conversa teria acontecido em janeiro deste ano. O jornal O Globo divulgou e a reportagem do Metrópoles teve acesso ao áudio e confirmou o teor. Jussielson Silva e outros dois investigados foram presos pelos crimes de peculato e associação criminosa, entre outros. Os acusados tinham responsabilidade por cerca de 70 mil cabeças de gados espalhadas por 42 pontos da reserva.

“Deixa eu te falar uma coisa: eu falei agora com o chefe da delegacia aqui e me parece que eles estão com uma má vontade enorme”, disse o presidente da Funai em conversa com Jussielson. “Eu vou dar ciência já do caso ao corregedor lá de Mato Grosso, ao corregedor nacional da Polícia Federal aqui e já vou acionar nossa corregedoria pra atuar nisso aqui. Pode ficar tranquilo”, assegurou Xavier.

O criminoso respondeu a Xavier: “Sim, eu agradeço porque a gente está na ponta da lança. O senhor é o meu apoio de fogo. O senhor me protegendo, fico mais feliz ainda”. Marcelo Xavier completa, dizendo que ele poderia ficar tranquilo, porque tinha nele uma “sustentação”.

Ouça o áudio:

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