Mendonça justifica pedido atípico em relatório sobre Moraes: "Cautela"
Ministro alegou que pedido de relatório envolvia autoridades e, por isso, necessitava de mais cautela para que não tivesse vazamentos

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que pediu o relatório sobre o ministro Alexandre de Moraes presencialmente aos delegados da Polícia Federal por “cautela” e para preservar o “sigilo” da investigação. A explicação foi dada ao presidente da Corte, Edson Fachin, na noite desta segunda-feira (14/9). O pedido é considerado atípico.
Segundo Mendonça, havia indícios de que estavam tendo vazamentos da investigação sobre o Banco Master. Além disso, ele destaca que o relatório necessitava de mais “cautela” por envolver autoridades, como o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, e o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
“Nesse contexto, diante da menção direta à pessoa do atual Diretor-Geral da Polícia Federal, bem como do Procurador-Geral da República, por cautela, buscando preservar a higidez dos autos e a eficiência das investigações —sem imputar qualquer suspeita a quem quer que seja—, impunha-se, com ainda maior razão, a adoção de providência apta a salvaguardar a fiel observância às premissas norteadoras da atividade de supervisão judicial desempenhada por este Ministro desde o início das investigações”, disse.
A resposta de Mendonça atende a um pedido de explicação de Fachin após a PGR pedir a nulidade do documento. A PGR alegou que o relatório não é válido já que ministros do STF só podem ser investigados com autorização do Plenário da Corte. Sobre a acusação, Mendonça não deu explicações em seu despacho.
O relatório produzido pela Polícia Federal a pedido de Mendonça sobre uma possível relação entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, será analisado nesta terça-feira (15/9) pelo Plenário. Em sessão inédita, os ministros vão decidir se Moraes deve ser investigado no caso.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO documento da PF indicou que Moraes teria trocado mensagens com Vorcaro e falado sobre investigações em andamento.

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Alexandre de Moraes também se manifestou nesta segunda-feira (14/9). Em 44 páginas, o ministro disse que o relatório apresentado por Mendonça é ilegal e pediu a nulidade da instauração de investigação.
Moraes disse, ainda, que “não há indício de infração penal”. Segundo ele, o pedido de Mendonça é uma “vingança”. A defesa foi apresentada em resposta ao presidente da Corte, Edson Fachin, na noite desta segunda-feira (14/9).



