Greenpeace vai processar Salles por ligar ONG à mancha de óleo

Coordenador de políticas públicas da ONG, Marcio Astrini, declarou ao Estadão que interpelará o ministro do Meio Ambiente

Andre Borges/Esp. MetrópolesAndre Borges/Esp. Metrópoles

atualizado 24/10/2019 18:48

Depois de o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles insinuar, via Twitter, que o Greenpeace poderia ter relação com o vazamento de óleo na costa nordestina, o coordenador de políticas públicas da ONG, Marcio Astrini, declarou ao jornal O Estado de S. Paulo que interpelará o titular da pasta na Justiça. “A decisão está tomada. Agora, será analisada por nossa área jurídica”, afirmou ele.

Mais cedo, em nota, a assessoria de imprensa do Greenpeace já havia classificado a insinuação como “uma mentira para criar uma cortina de fumaça na tentativa de esconder a incapacidade de Salles em lidar com a situação”.

Na postagem em que faz a sugestão em relação à organização, o ministro ironiza: “Tem umas coincidências na vida né… Parece que o navio do #greenpixe estava justamente navegando em águas internacionais, em frente ao litoral brasileiro bem na época do derramamento de óleo venezuelano…”. Ele não dá, contudo, informações sobre a suposta identificação do navio na costa brasileira.

Além disso, o ministro usou uma foto antiga para ilustrar o post, sem indicativo de quando ela teria sido tirada. O Metrópoles pediu ao Ministério do Meio Ambiente (MMA) mais informações sobre a foto, se ela seria ilustrativa ou não, e também mais detalhes a respeito da identificação do navio próximo à costa brasileira. Em sua resposta, a assessoria de imprensa da pasta indicou que a reportagem procurasse o próprio Greenpeace para saber.

Ocorre que o autor do post é o ministro e não o Greenpeace. Logo, a responsabilidade por esses esclarecimentos, seguindo o princípio da autoria, é do ministério. Ao ser questionado sobre a origem da suposição, a assessoria não se posicionou. O espaço continua aberto.

A respeito do navio, o Greenpeace diz que a foto é antiga e o navio está, hoje, em Montevidéu (Uruguai), como parte da campanha internacional “Proteja os Oceanos”, que vai do Ártico até a Antártida, onde chegará no primeiro semestre de 2020. Ainda de acordo com eles, a embarcação estava na Guiana Francesa entre agosto, quando começou o vazamento, e setembro.

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