Mario Frias recua e admite dinheiro de empresa ligada ao Master em filme sobre Bolsonaro

Em nota, deputado Mário Frias alegou que não há contradições entre os “posicionamentos públicos sobre o financiamento do projeto”

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1 de 1 equipe-atualiza-quadro-de-saude-de-mario-frias-apos-internacao-1 - Foto: Divulgação.

O deputado federal Mário Frias (PL-SP) recuou, na quinta-feira (14/5), e admitiu que o filme Dark Horse, que conta a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), recebeu recursos da empresa Entre, relacionada a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Em nota, Frias alega que não há contradições entre os “posicionamentos públicos sobre o financiamento do projeto, mas uma diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento”.

Segundo ele, quando disse que não havia “um centavo do Master” envolvido no longa, referia-se ao fato de que Daniel Vorcaro não é e nunca foi signatário jurídico, assim como o Master nunca figurou como empresa investidora. “O nosso relacionamento jurídico foi firmado com a Entre, pessoa jurídica distinta”, declarou.

A contradição, no entanto, estaria no fato de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitiu que havia um contrato do banqueiro com a produção dos filmes, e que o dinheiro recebido se deu devido a “um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”.

“Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme”, argumentou Flávio.

Os recursos foram solicitados por Flávio, segundo revelado pelo Intercept Brasil. Pelo menos R$ 61 milhões foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações.

O valor total negociado chegaria a R$ 134 milhões, mas não há evidências, segundo o site, de que todo o dinheiro tenha sido repassado, segundo o Intercept.

Mário Frias foi secretário da Cultura no governo Bolsonaro. Ele e o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, teriam atuado como intermediários na produção do filme.

Na nota emitida na quinta-feira (14/5), Frias reiterou que Flávio e Eduardo não têm sociedade no filme nem na produtora ou com qualquer estrutura ligada ao filme, tendo apenas autorizado o uso de direitos de imagem da família.

“Também reafirmo que todo o dinheiro captado foi utilizado exclusivamente na produção do filme Dark Horse, projeto realizado com capital privado e sem qualquer recurso público”, escreveu.

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