Lula sobe tom contra Trump: “Quer criar nova ONU e ser o dono”

Presidente Lula declarou que o multilateralismo “está sendo jogado fora” pelo unilateralismo e que “a lei do mais forte” está prevalecendo

atualizado

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Lula fala em ato sobre 8/1 - Metrópoles
1 de 1 Lula fala em ato sobre 8/1 - Metrópoles - Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta sexta-feira (23/1) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quer criar uma “nova” Organização das Nações Unidas (ONU) e ser o dono dela. O petista se referiu ao Conselho de Paz, criado pelo chefe da Casa Branca, nessa quinta-feira (22/1), para coordenar os esforços de transição política, segurança e reconstrução da Faixa de Gaza.

O titular do Planalto também afirmou que “o multilateralismo está sendo jogado fora pelo unilateralismo” e que “a lei do mais forte” está prevalecendo no mundo.

Lula voltou a defender uma reforma estrutural na ONU, a fim de ampliar a representatividade e torná-la mais eficaz — o que tem dito desde o início do mandato.

O multilateralismo está sendo jogado fora pelo unilateralismo, ou seja, está prevalecendo a lei do mais forte. A carta da ONU está sendo rasgada. E, em vez de a gente corrigir a ONU — o que a gente reivindica desde que eu fui presidente em 2003: a reforma (do Conselho de Segurança da ONU), com a entrada de novos países, com a entrada de México, do Brasil, de países africanos —, o que está acontecendo? O presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma ‘nova ONU’, e ele, sozinho, é o dono da ONU“, disse o presidente.

A declaração foi dada durante o encerramento do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), em Salvador (BA). Na ocasião, o governo federal anunciou um pacote de medidas para a reforma agrária.

Convite de Trump

Lula e dezenas de líderes internacionais foram convidados a integrar o fórum. De acordo com a Casa Branca, mais de 20 países já sinalizaram positivamente à proposta.

O entorno do petista, no entanto, não vê pressa para responder ao convite. Autoridades brasileiras adotam uma postura de cautela e ainda avaliam questões jurídicas e políticas envolvidas no processo.

Uma das preocupações no Palácio do Planalto envolve a abrangência do organismo proposto por Trump, que não ficaria restrita apenas à resolução do caso Gaza, mas de qualquer outro conflito que venha a se desenvolver.

A proposta de criação do órgão não faz menção ao conflito no Oriente Médio. A iniciativa cita que constitui “missão” do conselho “promover a estabilidade, restaurar a governança confiável e legal e garantir uma paz duradoura em áreas afetadas ou ameaçadas por conflitos”.

Também chama a atenção a concentração excessiva de poder na figura de Trump. Segundo o rascunho da carta de criação do conselho, o republicano, na condição de presidente do organismo, teria poder de veto, além de controle sobre votações, mandatos e permanência de países-membros. Hoje, a tendência entre membros do governo é negar a proposta.

Nesta semana, o norte-americano chegou a sugerir que o órgão “poderia” substituir as Nações Unidas. “A ONU simplesmente não tem sido muito útil. Sou um grande fã do potencial da ONU, mas ela nunca esteve à altura desse potencial”, disse Trump.

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