Ainda analisando convite de Trump, Lula conversa com líder palestino
Lula consultou Abbas sobre perspectivas de reconstrução de Gaza no dia em que Trump criou Conselho da Paz para coordenar esforços na região
atualizado
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone, nesta quinta-feira (22/1), com o chefe da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, sobre a situação na Faixa de Gaza.
De acordo com comunicado do Palácio do Planalto, Lula expressou “satifação” em relação ao cessar-fogo em Gaza. O petista também consultou Abbas sobre as perspectivas de reconstrução da região e “reiterou o compromisso brasileiro com a paz no Oriente Médio”.
Segundo o governo brasileiro, os dois presidentes trocaram impressões sobre o plano de paz em curso na região e concordaram em manter contato sobre o tema.
O conselho de Trump
A ligação aconteceu no dia em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou a carta que cria o chamado “Conselho da Paz”, iniciativa criada pelo chefe da Casa Branca para coordenar os esforços de transição política, segurança e reconstrução da Faixa de Gaza. Segundo a proposta, o conselho terá como foco inicial a mediação de conflitos no Oriente Médio, especialmente em Gaza, com possibilidade de ampliação para outras regiões.
De acordo com o governo dos EUA, 25 países aceitaram o convite para fazer parte, incluindo Israel, Argentina, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Bahrein, Jordânia, Catar, Egito, Turquia, Hungria, Marrocos, Paquistão, Indonésia, Kosovo, Uzbequistão, Cazaquistão, Paraguai, Vietnã, Armênia, Azerbaijão e Belarus.
Lula ainda não decidiu se aceitará convite
O Brasil também foi convidado, mas Lula ainda não respondeu ao convite. O presidente tem tratado o tema com cautela e vem analisando a reação de outros líderes mundiais que foram convidados por Trump.
O presidente da França, Emmanuel Macron, por exemplo, foi um dos presidentes que recusou a proposta. De acordo com a porta-voz da diplomacia francesa, Pascal Confavreux, a decisão se baseia em dois pontos centrais: o escopo ampliado do conselho e preocupações com o respeito à Carta das Nações Unidas.
Como mostrou o Metrópoles, a equipe do chefe do Executivo brasileiro tem estudado o documento minuciosamente antes de tomar uma decisão. O Planalto busca entender pontos como os objetivos centrais do conselho, a composição do grupo e os posicionamentos políticos e diplomáticos dos integrantes em relação ao conflito em Gaza, e os impactos orçamentários e obrigações financeiras decorrentes das decisões que venham a ser tomadas.
Na terça-feira (20/1), durante uma coletiva de imprensa, Trump afirmou gostar de Lula e disse que o brasileiro terá “grande papel” no conselho. Ainda durante a coletiva, o norte-americano declarou que o recém-formado grupo “poderia” substituir a Organização das Nações Unidas (ONU).
