Lula sanciona criação da primeira universidade indígena do país

Nova instituição federal será instalada em Brasília e deve começar com dez cursos de graduação. Sede deve ser inaugurada em junho

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Ricardo Stuckert/PR
O presidente Lula (centro) sanciona a criação da Universidade Federal Indígena. Também estão na foto: Eloy Terena (ministro do Povos Indígenas) e Sonia Guajajara (ex-ministra dos Povos Indígenas)
1 de 1 O presidente Lula (centro) sanciona a criação da Universidade Federal Indígena. Também estão na foto: Eloy Terena (ministro do Povos Indígenas) e Sonia Guajajara (ex-ministra dos Povos Indígenas) - Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta quinta-feira (28/5) uma lei que cria a Universidade Federal Indígena (Unind). A sanção ocorreu em uma cerimônia no Palácio do Planalto que reuniu ministros e lideranças dos povos indígenas.

A nova instituição federal de ensino terá sede em Brasília. Segundo o ministro da Educação, Leonardo Barchini, a Unind deve começar a funcionar com dez cursos de graduação e 2,8 mil estudantes nos quatro primeiros anos.

O governo comprará a antiga sede da Universidade dos Correios, no Setor de Clubes Esportivo Norte, em Brasília, para a implantação da universidade indígena. A expectativa é que a inauguração da sede da instituição ocorra entre os dias 15 e 19 de junho. Veja as áreas dos cursos que serão oferecidos pela Unind:

  1. Gestão ambiental e territorial;
  2. Gestão de políticas públicas;
  3. Sustentabilidade socioambiental;
  4. Promoção das línguas indígenas;
  5. Saúde;
  6. Direito;
  7. Agroecologia;
  8. Engenharias e tecnologias;
  9. Formação de professores; e
  10. Áreas estratégicas para autonomia e atuação profissional.

A criação da primeira universidade indígena do país foi proposta pelo governo federal e aprovada pelo Congresso Nacional nas últimas semanas. O texto foi elaborado com participação dos ministérios da Educação e dos Povos Indígenas, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), de lideranças indígenas e do Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena (Fneei).

Segundo a Funai, a instituição terá como foco a formação de indígenas na graduação e na pós-graduação, com base em um “modelo educacional que fortalece identidades e saberes tradicionais”.

Na cerimônia desta quinta, a ex-ministra dos Povos Indígenas Sonia Guajajara afirmou que, em futuro próximo, a Unind terá unidades espalhadas pelo país. “Ela oferecerá ensino superior, pesquisa e extensão sob uma perspectiva cultural, valorizando saberes tradicionais e línguas ancestrais”, declarou.

A lei sancionada por Lula estabelece que a Unind terá entre os objetivos a preservação e a difusão das culturas, línguas, histórias e conhecimentos dos povos originários do Brasil e da América Latina. A instituição também deverá incentivar o desenvolvimento de tecnologias adequadas às comunidades indígenas e promover a sustentabilidade socioambiental de seus territórios.

A gestão da universidade será feita por um conselho universitário, além de um reitor e um vice-reitor, cargos que deverão ser “obrigatoriamente” ocupados por docentes indígenas.

Durante a fase de implantação, os primeiros dirigentes serão nomeados pelo Ministério da Educação e permanecerão nos cargos até a conclusão da estruturação da universidade. Após a nomeação, eles terão prazo de 180 dias para elaborar o estatuto e as normas internas da instituição.

O presidente Lula afirmou, na solenidade, que a universidade deverá ter atenção especial nos mecanismos de permanência estudantil.

“Nós temos que levar em conta que uma universidade indígena vai ter que levar muito a sério a questão da moradia dos estudantes e do refeitório dos estudantes”, declarou.

“O que estamos fazendo é contribuir para que vocês voltem a ter aquilo que nunca deveria ter sido tirado de vocês. A gente não pode prescindir do conhecimento milenar que os povos indígenas acumularam ao longo de tanto tempo”, acrescentou o petista.

A lei sancionada por Lula autoriza a Unind a criar processos seletivos próprios para ingresso de estudantes, desde que sejam “ouvidas as comunidades indígenas e consideradas as diversidades linguística e cultural”.

O quadro de professores e técnicos administrativos será definido em uma lei futura. As contratações ocorrerão por concurso público, com reserva mínima de vagas para indígenas. De acordo com Leonardo Barchini, a instituição terá 366 docentes e 383 técnicos.

“Teremos a Universidade Federal Indígena com 366 docentes, 383 técnicos e 2,8 mil estudantes com dez cursos de graduação”, afirmou o ministro da Educação.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações