Lula: falta pouco para anunciar se há petróleo na Foz do Amazonas
Presidente Lula defendeu que, se houver petróleo na Margem Equatorial brasileira, que seja para beneficiar todos os estados da Região Norte
atualizado
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quarta-feira (27/5), que “falta pouco tempo” para a Petrobras anunciar se há, ou não, petróleo na Foz do Rio Amazonas, na Margem Equatorial brasileira.
A autorização da Petrobras para fazer a prospecção na região foi concedida pelo Ibama em outubro do ano passado. À época, a presidente da estatal, Magda Chambriard, prometeu operar com “segurança, responsabilidade e qualidade técnica”.
A perfuração foi iniciada imediatamente, e a duração inicial prevista dos estudos era de cinco meses. O projeto, no entanto, é alvo de críticas por ambientalistas, que temem danos irreversíveis ao meio ambiente.
“Penso que falta pouco tempo para a Petrobras anunciar se tem ou não o petróleo que a gente imagina que tem. Todos os estudos estão feitos, tudo está aprovado. Ou seja, nós temos, obviamente, muita responsabilidade de extrair o petróleo lá, mas nós temos uma vantagem, que é a expertise da Petrobras”, declarou Lula.
O chefe do Planalto disse ainda que, se houver poços da commodity na região, todos os estados da Região Norte deverão ser beneficiados.
“Se tiver a quantidade de petróleo que a gente imagina que tem, vai ser muito bom para desenvolver a Região Norte, para desenvolver a região do Amapá. Mas não só o Amapá, os estados do Norte vão ter de ser beneficiados com essa riqueza se a gente encontrar aquilo que a gente está pensando, seja petróleo, seja gás”, defendeu o presidente.
A declaração foi dada em entrevista à Rede Amazônica, afiliada da TV Globo no Amazonas. Lula está no estado desde terça-feira (26/5) e cumpre agendas até esta quarta-feira. Entre os compromissos, estão anúncios de investimentos nas obras de pavimentação da BR-319.
A exploração de petróleo na Foz do Amazonas tem no presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), um de seus principais defensores.
Em meio ao pior momento da relação entre Lula e o senador desde o início do mandato, os resultados dos estudos na região do Amapá podem contribuir para uma reaproximação entre os chefes do Executivo e do Legislativo federal.
Entenda
- A Margem Equatorial é uma região da costa do Brasil que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte. É apontada como uma nova fronteira de exploração de petróleo e gás.
- A Margem Equatorial é composta por cinco bacias sedimentares: Potiguar, Ceará, Barreirinhas, Pará-Maranhão e Foz do Amazonas.
- A Petrobras prevê investimento de mais de US$ 3 bilhões na Margem Equatorial até 2028. O plano de negócios da companhia projeta a perfuração de 16 poços na região.
- O projeto, no entanto, é alvo de críticas por ambientalistas que temem danos irreversíveis ao meio ambiente.
Críticas aos riscos ambientais
Desde o início de 2025, o governo Lula pressionava pela liberação da licença do Ibama. O titular do Executivo chegou a fazer críticas públicas ao órgão pela demora na autorização.
No entanto, a iniciativa foi duramente criticada por ambientalistas, que alertam para o risco de acidentes. Pesquisas indicam a existência de um recife de corais de quase 10 mil km² na foz do Amazonas, além da proximidade da área de exploração com terras indígenas no Amapá.
Quando a licença foi liberada, entidades ligadas ao meio ambiente classificaram a decisão como “desastrosa do ponto de vista ambiental, climático e da sociobiodiversidade”. O Ibama, portanto, afirmou à época que a autorização se deu após “rigoroso processo de licenciamento ambiental”. Segundo o instituto, foram realizadas audiências públicas, reuniões técnicas com os municípios dos estados envolvidos, além de vistorias e avaliações feitas por funcionários da Petrobras e equipe técnica do Ibama.
Em fevereiro, o Ibama aplicou um auto de infração à Petrobras e multou a estatal em R$ 2,5 milhões por um vazamento decorrente de uma perfuração no mar, na Bacia da Foz do Amazonas. O incidente foi registrado em 4 de janeiro.
O Instituto informou que o material vazado era uma mistura oleosa utilizada nas atividades de exploração e produção de petróleo e gás. Segundo o órgão, a substância tinha componentes classificados como de risco médio à saúde humana e ao ecossistema aquático.





