Luciano Hang conhecia o TrateCov antes do lançamento pelo governo

Em janeiro, empresário descreveu o sistema de “pontos” da plataforma, desconhecida até então. Dois dias depois, sistema foi lançado no AM

atualizado 10/06/2021 9:28

Reprodução

Uma live realizada pelo empresário bolsonarista Luciano Hang em 9 de janeiro mostra que ele conhecia a plataforma TrateCov antes do lançamento. O aplicativo indicava remédios sem eficácia comprovada para tratamento de pacientes da Covid-19.

Na transmissão ao vivo realizada ao lado de duas médicas, o empresário descreveu o sistema de “pontos” da plataforma, desconhecida até então. As médicas o informam que o Ministério da Saúde tinha adotado a abordagem.

Dois dias depois, o sistema foi lançado em Manaus (AM). Uma das médicas que fez a live com Hang, Helen Brandão, foi enviada à capital do Amazonas pela pasta para difundir o “tratamento precoce” em unidades de saúde da cidade.

Hang é proprietário da Havan, uma das maiores redes de lojas de departamentos do Brasil. Um dos mais entusiastas de Bolsonaro, o empresário é investigado em dois inquéritos — um sobre fake news e outro sobre organização e financiamento de atos antidemocráticos.

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TrateCov

Lançado em janeiro deste ano com a proposta de ajudar médicos a diagnosticar pacientes com sinais de Covid-19, o aplicativo sugeria medicamentos sem comprovação científica contra o coronavírus, como a hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina.

A responsabilização pelo aplicativo tem sido tema da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid. A secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, afirmou em depoimento, em 25 de maio, que a plataforma foi invadida antes do lançamento.

A plataforma estreou em 11 de janeiro e no lançamento não houve menções de que a ferramenta era apenas um simulador. Segundo reportagem veiculada pela TV Brasil, o aplicativo era divulgado no momento em que aumentavam casos da Covid-19 em Manaus.

O aplicativo TrateCov foi retirado do ar em 21 de janeiro. Na ocasião, o Ministério da Saúde afirmou que a plataforma “não estava funcionando oficialmente” e era apenas um simulador. A pasta afirmou também que “o sistema foi invadido e ativado indevidamente — o que provocou a retirada do ar, que será momentânea”.

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