Mayra Pinheiro afirma que secretaria comandada por ela criou TrateCov

Secretária afirmou que a plataforma foi inspirada em outra já existente em São Paulo, para o diagnóstico da dengue

atualizado 25/05/2021 12:45

Mayra Pinheiro_CPI da CovidRafaela Felicciano/Metrópoles

A secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, disse, nesta terça-feira (25/5), que o órgão comandado por ela foi o responsável pelo desenvolvimento da plataforma TrateCov, que indicava remédios sem eficácia comprovada para tratamento de pacientes da Covid-19.

Ao ser questionada pelo relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), sobre o aplicativo, a secretária evitou admitir a responsabilidade sobre o programa, contrariando o que revelou o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello.

“Quem criou a plataforma [TrateCov] foram os técnicos da minha secretaria. Ele [Pazuello] deve ter dito que fui eu porque sou a secretária”, afirmou.

A médica, então, foi novamente questionada e, desta vez, respondeu: “A minha secretaria foi a responsável pelo desenvolvimento da plataforma”.

Mayra explicou que o aplicativo foi inspirado em outra já existente em São Paulo, para diagnóstico da dengue — doença causada pelo mosquito Aedes Aegypti —, chamado “Sampa Dengue”.

A gestora federal assinalou que o aplicativo foi apresentado ao ex-ministro Eduardo Pazuello no dia 11 de janeiro em Manaus. A ferramenta, no entanto, não foi lançada pela pasta, após ter sido invadida por uma pessoa. O caso é investigado.

Ao contrário do que Pazuello pontuou aos senadores, Mayra Pinheiro negou que o TrateCov tenha sido hackeado. Segundo a secretária, “houve uma extração indevida de dados”, mas não foi feita nenhuma alteração na plataforma.

O general declarou, na ocasião, que o programa teria, sim, sido hackeado. “Foi descoberto, ele pegou esse diagnóstico, alterou com dados lá dentro e colocou na rede pública. Ele foi hackeado, quando nós descobrimos, mandei tirar do ar imediatamente.”

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Mayra é a nona depoente do colegiado. Antes dela, os senadores ouviram os ex-ministros Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich e Eduardo Pazuello, além do atual chefe da Saúde, Marcelo Queiroga.

O ex-chanceler Ernesto Araújo, o gerente-geral da Pfizer para a América Latina, Carlos Murillo, o ex-secretário de Comunicação da Presidência Fabio Wajngarten e o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, também prestaram depoimento.

A CPI da Covid-19 tem o objetivo de investigar as ações e omissões do governo federal no enfrentamento à pandemia e, em especial, no agravamento da crise sanitária no Amazonas com o desabastecimento de oxigênio hospitalar, além de apurar possíveis irregularidades em repasses federais a estados e municípios.

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