Senado aprova e Aras será o novo procurador-geral da República
Agora o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), que indicou Aras ao cargo, poderá nomeá-lo oficialmente
atualizado
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O plenário do Senado Federal aprovou por 68 votos a favor e 10 contra, mais uma abstenção, nesta quarta-feira (25/09/2019), Augusto Aras como novo procurador-geral da República. A indicação do até então subprocurador ao cargo foi aprovada com ampla maioria, no início desta tarde, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.
Agora o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), que indicou Aras ao cargo, poderá nomeá-lo oficialmente. Desde o último 5 de setembro, quando houve o anúncio, o advogado visitou frequentemente os senadores, sobretudo aqueles que participaram da sabatina, para tentar estreitar laços e sair vitorioso na Casa.
O nome de Aras como substituto da Raquel Dodge causou polêmica entre colegas da Procuradoria-Geral da República (PGR), uma vez que estava de fora da lista tríplice, que até então era seguida pelos presidentes brasileiros desde 2003. O argumento defendido por procuradores é que menospreza o princípio da transparência.
Desta forma, a lista tríplice e a manutenção da democracia foram um dos principais temas abordados pelos senadores, que sabatinaram Aras antes da apreciação do relatório, de autoria do senador Eduardo Braga (MDB-AM). Ao colegiado, ele disse que a lista tinha a cultura de promover o “clientelismo” e o “toma lá da cá” na instituição.
Com o desgaste da Lava Jato, os senadores também incluíram o assunto em quase todas as perguntas feitas ao advogado. Aras defendeu a atuação do procurador Deltan Dallagnol, mas ressaltou a importância de “aprimorá-la”, sem “muitos holofotes”. Ele defendeu ainda que, para evitar o desgaste, faltou alguma figura mais velha na equipe.
Além disso, Aras teve de responder sobre a independência entre os Poderes, a atuação do Ministério do Público, o direito essenciais das minorias e a indicação do deputado federal, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente da República, como embaixador dos Estados Unidos.
Quanto ao último ponto, Aras afirmou que não considera a prática “nepotismo”. Há meses, Bolsonaro tem ensaiado uma indicação formal do filho ao posto. Os EUA, inclusive, já aprovaram o nome dele. No entanto, o chefe do Planalto teme que o Senado rejeite a ideia.
