Por lista tríplice e o sonho da PGR, 1,1 mil procuradores vão às urnas

Integrantes do MP escolhem, nesta terça das 10h às 18h30, os três nomes que deverão ser levados a Bolsonaro de um universo de 10 candidatos

Antonio Augusto / Secom / PGRAntonio Augusto / Secom / PGR

atualizado 18/06/2019 16:58

Cerca de 1,1 mil procuradores vão às urnas nesta terça-feira (18/06/2019) para eleger a lista tríplice para procurador-geral da República. Eles poderão escolher os eleitos de um universo de 10 candidatos. Os três nomes deverão ser levados a Jair Bolsonaro (PSL) pela Associação Nacional dos Procuradores da República, que promove a eleição. A votação começa às 10h e vai até as 18h30. O resultado deve ser conhecido depois das 19h.

Cabe ao presidente da República escolher o chefe do Ministério Público Federal, conforme prevê a Constituição. Ele não é obrigado a indicar nenhum nome da lista da Associação.

A tradição de formação da lista tríplice teve início em 2001. Daquele ano até agora, o vencedor da lista tríplice para o cargo de procurador-geral da República não foi acolhido apenas na primeira edição e, mais recentemente, em 2017, quando o então presidente, Michel Temer, escolheu Raquel Dodge.

A atual procuradora-geral, Raquel Dodge, não se inscreveu para concorrer na eleição promovida pela Associação dos Procuradores, o que não significa que não pretende a recondução, pela “via direta” do Palácio do Planalto. Internamente, procuradores comentam que ela se movimenta para um segundo mandato sem concorrer pela lista tríplice.

No dia 7 de junho, Raquel Dodge admitiu, de forma explícita, estar no páreo para ficar mais dois anos no cargo. O mandato de Raquel à frente da Procuradoria-Geral vai até setembro, quando o presidente Jair Bolsonaro deverá indicar o próximo ocupante do cargo.

“Estou à disposição da minha instituição e do país para uma eventual recondução ao cargo, mas não sei se isso vai acontecer”, disse Raquel Dodge, após participar de evento do Ministério Público em São Paulo.

Como revelou o Estado, parlamentares do Centrão, bloco informal de partidos que tem imposto as principais derrotas de Bolsonaro no Congresso, têm defendido, em conversas reservadas, a recondução de Raquel a mais um mandato. A avaliação do grupo é a de que ela tem uma postura mais “moderada” do que o antecessor no cargo, Rodrigo Janot — criticado por apresentar denúncias contra políticos apenas com base nas delações premiadas.

Temem ainda que Bolsonaro escolha um nome mais “linha dura”, alinhado ao discurso de criminalização da política que permeou a campanha eleitoral. Para ser confirmado, o escolhido pelo presidente da República precisa passar por sabatina e ter o aval do Senado.

Desde que assumiu o comando do Ministério Público Federal, em setembro de 2017, Raquel desacelerou os acordos de colaboração premiada. Das 110 delações na Lava Jato homologados pelo Supremo Tribunal Federal até hoje, apenas um foi em sua gestão. Enquanto isso, ela pediu para anular quatro dos acordos assinados por Janot. O mais recente foi o do ex-diretor da Hypermarcas Nelson de Mello, que havia acusado políticos do MDB de receber R$ 30 milhões para fins eleitorais. Mello foi acusado de ter omitido informações e de não apresentar as provas para sustentar as denúncias contra políticos.

 

São candidatos à lista:

– o ex-presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, José Robalinho Cavalcanti;

– o procurador regional Lauro Cardoso, paraquedista do Exército e secretário-geral do Ministério Público da União;

– Vladimir Aras, procurador regional;

– Blal Dalloul, secretário-geral na gestão do ex-procurador-geral Rodrigo Janot;

– o ex-vice da gestão Janot, José Bonifácio da Andrada;

– a subprocuradora-geral Luiza Cristina Frischeisen;

– o subprocurador-geral Mário Luiz Bonsaglia;

– Paulo Eduardo Bueno

– Antonio Carlos Fonseca Silva;

– Nívio de Freitas.

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