PF quer abrir mais dois inquéritos dentro da operação Spoofing

Seis pessoas foram indiciadas por invadir celulares de autoridades, mas PF quer se aprofundar em transações. Veja íntegra de relatório

atualizado 21/12/2019 15:30

Andre Borges/Esp. Metrópoles

Após indiciar os seis suspeitos de invadir celulares de autoridades como o procurador Deltan Dallagnol e o então juiz federal Sergio Moro, a Polícia Federal vai abrir novas investigações para apurar se o hackeamento foi financiado por alguma fonte externa. A Operação Spoofing foi deflagrada em 23 de julho deste ano e os suspeitos estão presos preventivamente, mas a PF acredita que é preciso investigar mais a fundo as relações financeiras do grupo, que foi indiciado por crimes como formação de organização criminosa e interceptação telemática.

O relatório de indiciamento, ao qual o Metrópoles teve acesso, tem 177 páginas e a maioria é dedicada a explorar e denunciar a conduta criminosa dos indiciados em golpes financeiros sem conexão com o hackeamento dos celulares das autoridades.

De acordo com a conclusão do documento (cuja íntegra está no fim da reportagem), o delegado Luís Flávio Zampronha informa que irá voltar a se debruçar sobre o tema.

“Foram reunidas até o momento informações de aproximadamente 1.500 contas bancárias e cartões de crédito que podem ter sido objeto de fraudes cibernéticas pela organização criminosa, motivo pelo qual também será aberto (sic) investigação própria para a investigação de tais crimes, bem como a ocultação e dissimulação da origem e destino dos recursos obtidos”, informa o documento.

Como o Metrópoles mostrou nesta sexta (20/12/2019), a PF se esforçou para buscar indícios de crimes na passagem do material hackeado dos celulares de autoridades para o jornalista Glenn Greenwald, fundador do site The Intercept Brasil, mas não encontrou.

Na conclusão, porém, o delegado Zampronha indica que o esforço não acabou. Ele registra que, em um dos arquivos apreendidos, o acusado de ser o líder do grupo, Walter Delgatti Neto, o Vermelho, afirma que gostaria de ver o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva “solto” e “eu me beneficiando” da divulgação das mensagens.

“Ressalte-se, entretanto, pelo perfil demonstrado por Walter Delgatti Neto, tais afirmações podem não passar de meras bravatas ou simples desejos irrealizáveis. Entretanto, será aberto na Polícia Federal Inquérito Policial específico para apurar o possível cometimento do crime previsto no artigo 2º, § 1º da Lei nº 12.850/2013 (impedir ou, de qualquer forma, embaraçar investigação de infração penal que envolva organização criminosa).

Os indiciados
Foram indiciados por formação de quadrilha Walter Delgatti Neto (que aparece na imagem em destaque), Gustavo Santos, Danilo Marques, Suelen Priscila de Oliveira, Thiago Eliezer Martins e Luiz Henrique Molição. Esse último fechou acordo de delação premiada com o MP, mas não foi poupado do indiciamento.

Delgatti Neto, Martins, Santos e Marques também foram indiciados por invasão de dispositivos telemáticos e interceptações.

Veja a íntegra do relatório da PF sobre a operação Spoofing:

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