Operação indica propinas de Odebrecht em obras públicas

Arena Corinthians, setores de óleo e gás e canal do sertão estão entre as obras que receberam pagamentos da empresa investigada

atualizado 22/03/2016 11:22

NELSON ANTOINE/FOTOARENA

A Operação Xepa – 26ª fase da Lava Jato – deflagrada nesta terça-feira (22/3), abre novas linhas de investigação do pagamento de propinas pelo Grupo Odebrecht em outras obras públicas, que extrapolam a Petrobras – foco inicial das investigações.

As informações são da força-tarefa dessa operação, que concede nesta manhã, em Curitiba, entrevista coletiva para explicar a mais nova fase dessa operação, que é um desdobramento da 23ª fase, batizada de Acarajé e que teve como foco o marqueteiro do PT, João Santana, e sua mulher, Mônica Moura.

“Existe um sistema inclusive automático de controle desses pagamentos com distribuição de alçadas com pagamentos em setores de óleo e gás, infraestrutura, estádios de futebol, canal do sertão”, afirmou o procurador da República Carlos Fernando Santos de Lima, durante a entrevista coletiva.

Itaqueirão
De acordo com o procurador, a construção do estádio Corinthians se deu após o pagamento de propina pela Odebrecht. Segundo ele, os rastros de repasses ilegais apareceram em planilhas apreendidas que indicam o envolvimento da diretoria da Odebrecht que cuida da gestão do contrato com o Itaquerão. A polícia ainda está analisando a lista dos destinatários dos pagamentos.

Segundo Carlos Fernando Santos de Lima, há indicativos de pagamentos de propina em outros estádios da Copa, mas o úncio confirmado pela Operação Xepa é o estádio do Corinthians.

Desdobramento
Segundo a força-tarefa da Lava Jato, a partir do material apreendido na 23ª fase foram descobertas planilhas de controle dos pagamentos de propina da Odebrecht. A empreiteira pagou pelo menos US$ 3 milhões em conta secreta do marqueteiro na Suíça.

Na entrevista, a força-tarefa disse que o foco da operação deflagrada hoje é a Odebrecht. A procuradora da República Laura Tessler afirmou que as descobertas mostraram uma “estrutura profissional de pagamento de propinas na Odebrecht”.

Segundo ela, eram “pagamentos sistemáticos” com entregas de valores em moeda no Brasil e transferências no exterior e a empresa tinha uma contabilidade paralela e setor próprio para o pagamento de propina.

A investigação também achou indícios do envolvimento de Marcelo Odebrecht, presidente do grupo e que está preso, no pagamento dessas propinas. Informações do celular de Odebrecht são compatíveis com as encontradas nas tabelas investigadas.

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