MPGO pede apreensão de tornozeleira eletrônica cedida a Rocha Loures
O superintendente executivo de Administração Penitenciária de Goiás confirmou que ex-deputado furou fila para conseguir o benefício

O Ministério Público de Goiás (MPGO) vai ajuizar uma ação de busca e apreensão exigindo a devolução da tornozeleira eletrônica cedida pelo estado ao ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PSDB-PR). No último dia 2, o Metrópoles mostrou com exclusividade que o ex-assessor do presidente Michel Temer furou fila e passou na frente de cerca de 100 presos que aguardavam a tornozeleira em Goiás.
A movimentação do MPGO foi divulgada nesta terça-feira (11/7) após o depoimento do superintendente executivo de Administração Penitenciária de Goiás, coronel Victor Dragalzew Júnior. De acordo com o Ministério Público, o superintendente confirmou que Rocha Loures passou na frente de outros detentos. O militar afirmou, em depoimento, que o pedido de concessão da tornozeleira partiu do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) através de uma ligação telefônica.
A solicitação deveria ser oficializada posteriormente por meio de um ofício. O documento, no entanto, ainda não chegou à superintendência de Administração Penitenciária do estado. Ao promotor Fernando Krebs, o gestor reforçou a informação de que, atualmente, Goiás mantém contrato de fornecimento de 1.855 tornozeleiras eletrônicas. No entanto, apenas cerca de 950 estão em funcionamento.Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAinda de acordo com o MPGO, o coronel Victor Dragalzew explicou que o monitoramento no estado é feito em 19 comarcas, sendo que o fornecimento ocorre à medida que chegam as decisões judiciais determinando o uso do equipamento eletrônico pelo preso.
De acordo com o promotor Fernando Krebs, não há justificativa para o empréstimo da tornozeleira, pois existem no ato indícios de violação de princípios constitucionais, como o da impessoalidade e da moralidade. “A ilegalidade está na concessão do privilégio, em burlar a fila”, afirmou Krebs.
No último dia 4, o promotor já havia recomendado à Secretaria de Segurança Pública do estado que solicitasse a imediata devolução da tornozeleira eletrônica. No entanto, até esta terça (11), o MPGO ainda não tinha recebido resposta sobre a recomendação.
Três dias após a orientação, o Ministério Público lançou dúvidas sobre o funcionamento do aparelho. Em ofício encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) na sexta-feira (7), o promotor Krebs disse “suspeitar que Rodrigo Santos da Rocha Loures não esteja sendo monitorado. E, se está, tal monitoramento é ilegal, porque não foi previsto contratualmente”.
Mala da propina
Rodrigo Rocha Loures estava preso em Brasília desde 3 de junho. A prisão foi motivada pela divulgação de imagens feitas pela Polícia Federal enquanto ele recebia uma mala com R$ 500 mil, suposta propina paga pelo frigorífico JBS que teria como destinatário final o presidente Michel Temer.
No dia 30 de junho, Loures conseguiu o direito à prisão domiciliar. A decisão foi do relator da Operação Lava Jato no STF, ministro Edson Fachin. Para ter direito ao benefício, o “homem da mala” deve usar a tornozeleira eletrônica, permanecer em casa entre 20h e 6h e não pode sair durante os finais de semana.
SSP nega
Acionada pela reportagem, a Secretaria de Segurança goiana negou que Loures tenha furado a fila e disse que a concessão de tornozeleiras foi regularizada em 14 de junho.
Ainda de acordo com a pasta, a Spacecom — empresa contratada para o fornecimento dos artigos — comprometeu-se a prorrogar o contrato vencido em fevereiro e, por sua vez, o governo efetuará os pagamentos dos meses de fevereiro (parcial), março, abril e maio assim que receber de volta o acordo assinado pela empresa.


















