MPGO marca depoimentos para saber se Loures furou fila da tornozeleira
As oitivas começam nesta terça-feira (11/7). O ex-deputado recebeu o equipamento do estado vizinho porque no DF não tem

O Ministério Público de Goiás (MPGO) começa nesta terça-feira (11/7) a tomar os depoimentos da investigação aberta para apurar se o ex-deputado federal e ex-assessor especial da Presidência, Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), furou fila ao receber uma tornozeleira eletrônica. Ele estava preso em Brasília, que não dispõe do equipamento. Para poder se beneficiar da prisão preventiva em regime domiciliar, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-parlamentar conseguiu um aparelho em Goiás, onde mais de 100 presos aguardavam uma tornozeleira. A história foi publicada com exclusividade pelo Metrópoles.
Rocha Loures foi preso no dia 3 de junho, após ser flagrado recebendo uma mala com R$ 500 mil. No dia 30, o ministro Edson Fachin determinou a soltura do preso e o cumprimento de medidas cautelares alternativas, como o recolhimento domiciliar à noite e no fim de semana, bem como o uso de tornozeleira eletrônica.
Após recomendar à Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO) que solicite a devolução imediata da tornozeleira eletrônica concedida ao ex-deputado, o MPGO lançou dúvidas sobre o funcionamento do aparelho. Em ofício encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) na sexta-feira (7), o promotor Fernando Aurvalle Krebs “suspeita que Rodrigo Santos da Rocha Loures não esteja sendo monitorado. E, se está, tal monitoramento é ilegal, porque não foi previsto contratualmente”.Empréstimo
O secretário estadual de Segurança Pública e Administração Penitenciária de Goiás (SSPAP), Ricardo Balestreri, afirmou nesta segunda (10) que a tornozeleira eletrônica que monitora Rocha Loures é legal, funciona e registra via satélite todos os passos do “homem da mala”.
Ele garantiu que o empréstimo da tornozeleira ao Departamento Penitenciário (Depen) do Ministério da Justiça, no último dia 1º, em Goiânia (GO), deve-se a acordo oficial. E a cessão do equipamento, segundo ele, em nada afetou o sistema penitenciário
“Não ocorreu favorecimento”, diz o secretário Ricardo Balestreri “Estava em falta em Brasília e o preso teria de ser monitorado, uma vez que foi condenado à prisão domiciliar”, indicou. “Estamos próximos do DF e a cessão não gerou prejuízo porque nenhum preso (de Goiás) foi preterido”. Ressaltou que Rocha Loures ficará no interior da casa, de segunda a sexta-feira e finais de semana, entre 20h e 6h.
Um dia após a reportagem do Metrópoles, a Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social do DF (SSP-DF) assinou contrato com a UE Brasil Tecnologia para o fornecimento de até 6 mil unidades do equipamento em território brasiliense, por R$ 11,6 milhões. O extrato do contrato foi publicado no dia 5/7. A expectativa é de que o início do funcionamento do sistema ocorra até o fim de agosto.

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