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Em discurso inflamado na tribuna do Senado, a presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann (PR), disparou contra o juiz federal Sérgio Moro nesta terça-feira (10/7). A petista protestou contra a contestação feita pelo magistrado no último domingo (8/7) ao deferimento do habeas corpus favorável ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Ligou de Portugal depois de tomar seu vinho dando ordens à Polícia Federal de Curitiba. Quem ele pensa que é?”, reclamou.

Moro está de férias no país europeu. Segundo a assessoria da Justiça Federal do Paraná, ele entendeu que poderia deliberar sobre o caso após ser citado na decisão do desembargador Rogério Favreto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).

Para Gleisi, o juiz Sérgio Moro é um “militante político”. De acordo com a senadora, ele não poderia ter interferido na decisão de soltura do ex-presidente Lula.

“[Nós podemos ter] A discordância judicial pela parte. Seja ela a defesa, seja o Ministério Público. O que não pode é ter uma discordância judicial e um juiz de primeira instância, militante político, ligar para a Polícia Federal e mandar não cumprir uma ordem. Articular com outro desembargador para que reveja a ordem daquele que mandou soltar o presidente Lula”, disse.

Gleisi ironizou a decisão de Moro. Segundo ela, o magistrado estava “bebendo vinho e comendo bacalhau” quando soube da determinação de soltura de Lula.

“Sérgio Moro não tinha autoridade de mandar parar o cumprimento de uma decisão judicial de segunda Instância. Ele estava bebendo vinho e comendo bacalhau lá em Portugal. Foi acionado por um agente da PF que também tem que responder pelo que fez. [Moro] Ligou de Portugal depois de tomar seu vinho dando ordens à Polícia Federal de Curitiba. Quem ele pensa que é?”, declarou.

A presidente nacional do PT disse que Moro, a Polícia Federal e o desembargador João Pedro Gebran Neto (relator do caso Lula no TRF-4) promovem uma brincadeira com a Justiça do país. “Fazer esse convescote? É vergonhoso para as instituições deste país”.

O ex-presidente Lula continuará preso na carceragem da Polícia Federal em Curitiba após um imbróglio jurídico provocado pelo deferimento de um pedido de habeas corpus a seu favor. Depois de idas e vindas envolvendo Favreto, Sérgio Moro e Gebran Neto, o presidente do TRF-4, Thompson Flores, determinou a permanência do petista na prisão.