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O Partido dos Trabalhadores (PT) seguirá com a estratégia de politizar ao máximo a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva. A orientação ganhou força com as repercussões sobre o pedido de liberdade do ex-presidente e suas idas e vindas na Justiça nesse domingo (8/7). De acordo com avaliação da cúpula da legenda, mesmo sem ter conseguido a soltura do político, preso na sede da Polícia Federal em Curitiba há três meses, a sigla ganhou mais do que perdeu com todo o episódio. Diante disso, a recomendação passada às lideranças é no sentido de não discutir mais, publicamente, qualquer possibilidade de “plano B” para a corrida ao Planalto deste ano. Dentro dessa mesma estratégia, o partido marcou para o dia do centenário do líder sul-africano Nelson Mandela atos contra a prisão do ex-presidente.

Um eventual substituto de Lula só será anunciado de última hora, segundo os líderes ouvidos pelo Metrópoles. Nos bastidores, entretanto, um dos nomes ventilados para concorrer à eleição presidencial, caso o ex-líder sindical seja impedido, é o do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, hoje coordenador do projeto de governo da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva.

O PT se animou com a discussão provocada pelo habeas corpus concedido pelo desembargador Rogério Favreto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). O plano petista teve início na última quinta-feira (5), quando os deputados federais Paulo Pimenta (RS), Paulo Teixeira (SP) e Wadih Damous (RJ) decidiram entrar com o recurso na Corte. Os advogados de Lula não foram avisados. A defesa oficial do ex-presidente só ficou sabendo da solicitação de liberdade após o deferimento do pleito.

Ofensiva jurídica
Mesmo sem conseguir a soltura do petista, líderes da sigla avaliam que a discussão e a repercussão do pedido abriu um novo caminho na Justiça, com a probabilidade de se entrar com recursos em tribunais superiores. Com isso, na análise de integrantes do partido, será possível expor membros do Judiciário e investir no discurso de perseguição política contra o ex-presidente.

A sigla petista pode ir ao Superior Tribunal de Justiça e ao Supremo Tribunal Federal (STF) durante o recesso do Judiciário. No STJ, o plantão é dividido pela presidente, ministra Laurita Vaz, e o vice, o magistrado Humberto Martins, que, no final de janeiro, negou um pedido de habeas corpus preventivo de Lula, após o julgamento do caso do triplex no Guarujá (SP) pelo TRF-4, processo responsável por levar o político à prisão.

Se os integrantes do PT forem direto à mais alta Corte, o recurso poderá cair nas mãos do ministro Dias Toffoli, tendo em vista que a titular do órgão, Cármen Lúcia, deverá assumir a Presidência da República devido às viagens do presidente Michel Temer ao exterior programadas para este mês. Membros da legenda aguardam a chegada de Dias Toffoli – nomeado por Lula – ao último posto do Supremo, com a esperança de que a prisão do petista ou a decisão de cumprimento de pena após condenação em segunda instância seja revista. Mas, em maio, Toffoli votou contra recurso de Luiz Inácio Lula da Silva por liberdade.