*
 

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes previu há pouco, em Lisboa, que a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá pedir ainda na tarde de desta quinta-feira (5/4) a pauta das Ações Declaratórias de Constitucionalidade (ADCs) que tratam do trânsito em julgado da sentença penal condenatória.

A medida, de acordo com ele, deve ocorrer porque a Corte decidiu nesta quarta (4) julgar o habeas corpus do petista, mas optou por tratar da ADC em outro momento, como foi deixado claro, principalmente, pela ministra Rosa Weber. Ao comentar a decisão da Corte, Gilmar disse: “Nos fingimos de espertos e criamos um grave problema”.

“Acredito que isso (a divisão da pauta) se deveu a uma certa estratégia da presidência para evitar o problema se manifestar nesse contexto, só que o problema cresceu e, diante da condenação do Lula, desse habeas corpus, muito provavelmente vamos ter um recrudescimento”, argumentou, acrescentando vivermos hoje “momentos bastante conturbados” e que a Suprema Corte nem sempre tem contribuído para um bom “desate”.

Gilmar conversou com jornalistas quando chegou a um evento na capital portuguesa e confessou estar aliviado por ter apenas brasileiros no grupo da imprensa ali presente – na realidade, havia uma jornalista local.

“Ainda bem que estou falando para vocês, brasileiros. Falar para os portugueses até seria mais vexatório. É muito caótico, difícil de explicar. Nos amarramos a detalhes, nos fingimos de espertos e criamos um grave problema. Não foi bom”, resumiu em relação ao julgamento, que, segundo ele, não apresentou um resultado final para o caso.

Ele voltou a reforçar sua posição de que teria sido melhor, em termos práticos, ter suspenso o julgamento de ontem e aguardado o das ADCs. “Isso seria muito mais razoável, mas o tribunal optou por encerrar o assunto. Até porque as coisas precisam se encerrar, não é? Vocês (jornalistas) ficam aflitos, querendo que os temas se encerrem. Encerrar sem dar solução também não é… não pacificou”, disse.

Há dois dias, também em Lisboa, Gilmar Mendes previu: após a decisão do STF, haveria maior pacificação no Brasil, embora esperasse um primeiro momento mais conturbado de reações. Para ele, nas próximas semanas, o Tribunal terá de voltar a esse tema.

Conforme Gilmar Mendes, se assim o Tribunal Regional Federal da 4ª Região considerar, o ex-presidente já poderá ir para a prisão. “Agora, pode ser preso e pode ser solto em seguida? Quando vier a decisão da ADC? Então veja…”, pontuou.