Justiça mantém prisão de ginecologista suspeito de abusos a pacientes
Para juiz de Abadiânia (GO), soltura do médico abre margem para intimidação de vítimas. Mais de 50 mulheres denunciaram o ginecologista

Goiânia – O Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) determinou nessa segunda-feira (25/10) a manutenção da prisão preventiva do ginecologista e obstetra Nicodemos Junior Estanislau Morais, de 51 anos, acusado de abusar sexualmente de pacientes durante exames e consultas.
Para o juiz Marcos Boechat, a soltura do médico representa um risco para as vítimas, que poderiam ser intimidadas, de forma velada ou até pelas redes sociais. O suspeito seguia nas redes sociais as mulheres, que ele teria abusado, e enviava mensagens de conteúdo sexual, segundo o processo.
Abadiânia
Essa decisão é do Fórum de Abadiânia, a 90 km de Goiânia, onde está um dos processos contra o médico, relacionado a quatro denúncias de abuso sexual mediante fraude. Um outro processo com dezenas de vítimas tramita na cidade de Anápolis. No total, 54 mulheres denunciaram o profissional.
“As vítimas nutriam confiança em relação ao acusado, o que, ao que os fatos indicam até o momento, aproveitava-se disso para simular atendimento ginecológico com a intenção escusa de praticar abusos sexuais”, descreve o juiz Marcos Boechat na decisão deste 25/10.
Condenação anterior
O magistrado cita em sua justificativa pela prisão, a condenação em primeira instância contra Nicodemos, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), por importunação sexual. A sentença é de dezembro de 2020 e o crime teria ocorrido em 2018.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesSegundo a vítima, o profissional colocou o dedo em suas partes íntimas, encostando nela por trás, durante um exame, em 2018, em uma clínica de Samambaia (DF).
“O Estado-Juiz não pode fechar os olhos para esta realidade arraigada historicamente na sociedade brasileira há séculos, sob pena de se admitir como aceitável ou tolerável condutas abusivas e violentas de homens contra as mulheres baseada no gênero, como se aqueles fossem superiores a estas”, defende o juiz na decisão.
Veja o momento da prisão em 8/10:
Prisões
Nicodemos foi preso pela primeira vez em 27/9, suspeito de abusar de três pacientes de Anápolis que o denunciaram entre 2020 e 2021. Depois dessa prisão, dezenas de mulheres procuraram a Delegacia da Mulher para denunciá-lo.
Já no dia 4/10, o ginecologista foi solto por decisão judicial do Fórum de Anápolis. Ele acabou preso novamente em 8/10, por decisão do Fórum de Abadiânia, onde quatro vítimas denunciaram que foram vítimas do profissional em uma clínica da cidade.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles
Frequência de envio: Diário
Ver todasUma pessoa do Paraná chegou a denunciá-lo antes das prisões, mas o caso foi arquivado. O Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego) interditou temporariamente o profissional, que está proibido de exercer a medicina em todo o país.
O profissional foi indiciado pela Polícia Civil por crimes sexuais e denunciado pelo Ministério Público por estupro de vulnerável.



















