Denúncias de abusos em Abadiânia causaram nova prisão de ginecologista

Quatro mulheres dizem ter sido vítimas do médico em clínica de Abadiânia (GO). Elas decidiram denunciar após ficarem sabendo da 1ª prisão

atualizado 08/10/2021 14:31

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Goiânia – As novas denúncias que levaram à segunda prisão do ginecologista Nicodemos Junior Estanislau Morais, de 41 anos, são de abusos sexuais que teriam ocorrido em uma clínica de Abadiânia, no Entorno do Distrito Federal, a 90 quilômetros de Goiânia. A cidade é conhecida por ter sido cenário de abusos sexuais do ex-médium João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus.

Quatro pacientes de diferentes cidades denunciaram que foram abusadas sexualmente por Nicodemos, em Abadiânia. Elas estão entre as mais de 50 mulheres que procuraram Polícia Civil depois de saber da primeira prisão do médico, em 29/9.

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Casos parecidos

De acordo com o delegado Vander Coelho, os crimes teriam ocorrido de forma semelhante aos casos denunciados em Anápolis, local onde o médico morava e atendia até ser preso. Há casos de abuso durante ultrassom vaginal e até no momento da consulta, por meio de conversas de conotação sexual.

“Todas as vítimas relatam situações constrangedoras em relação a falas do médico, trazendo informações com conotação sexual, mas não como instrução médica, e sim como cantadas que ele fazia dentro do consultório. Além disso, os toques que as vítimas em Anápolis relatam são da mesma forma que os relatados pelas vítimas de Abadiânia”, conta o delegado ao Metrópoles.

Vander defende que a divulgação da prisão e da identidade do médico foram importantes para que novas vítimas pudessem ter denunciado, como foi o caso das quatro mulheres atendidas em Abadiânia.

Veja o momento da nova prisão do médico:

Nicodemos foi preso novamente em Anápolis nesta sexta-feira (8/10) e levado para interrogatório da delegacia da Polícia Civil de Abadiânia. Ele será transferido para uma cela especial do Núcleo de Custódia, no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, região metropolitana da capital.

Segunda prisão

A primeira prisão preventiva do ginecologista durou cinco dias e foi baseada em três denúncias contra o médico, de pacientes de Anápolis. Os abusos teriam ocorrido dentro de uma clínica e em um dos casos ele teria feito a vítima tocar seu pênis.

No entanto, Nicodemos já foi condenado por importunação sexual em primeira instância, em dezembro de 2020, mas a pena de dois anos não era suficiente para mantê-lo preso. Uma vítima do Paraná chegou a denunciá-lo, mas o caso foi arquivado.

O médico está proibido de exercer sua profissão em todo o país, por determinação do Conselho Regional de Medicina de Goiás.

O Metrópoles entrou em contato com a defesa do médico na manhã da nova prisão e aguarda retorno. A defesa do ginecologista tem dito que as denúncias feitas contra o profissional têm relação com o “simples exercício profissional”. “O médico em nenhum momento realizou qualquer tipo de procedimento médico com cunho sexual”, diz nota assinada pelo advogado Carlos Eduardo Gonçalves Martins.

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