Acusado de abusar pacientes em GO e DF, ginecologista está proibido de atender em todo país

Conselho de medicina em GO decidiu pela interdição do médico acusado de abusos sexuais por mais de 50 mulheres; DF também já o interditou

atualizado 07/10/2021 9:17

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Goiânia – O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) interditou o médico ginecologista e obstetra Nicodemos Júnior Estanislau, de 41 anos, suspeito de cometer abusos sexuais contra pacientes.

A interdição temporária proíbe o profissional de exercer a medicina em todo o país. A medida foi aprovada em reunião do Cremego na última terça-feira (5/10) e comunicada ao médico no início da noite de quarta-feira (6/10).

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Prisão

Nicodemos chegou a ficar preso preventivamente por cinco dias após operação da Polícia Civil de Goiás em Anápolis, a 55 quilômetros de Goiânia. Cerca de 50 mulheres relataram denúncias na delegacia após a prisão. Ele está solto desde 4/10 e é monitorado por tornozeleira eletrônica.

Em nota, o Cremego explicou que a interdição temporária é um procedimento administrativo para restringir o exercício da profissão por médicos cuja ação ou omissão, decorrentes de sua profissão, esteja prejudicando gravemente a população, ou na iminência de fazê-lo.

A interdição é válida por seis meses, mas pode ser prorrogada por mais seis meses ou revogada a qualquer momento. Um processo ético-profissional tramita em sigilo no Conselho Regional, desde que o profissional foi preso, em 29/9.

DF

Até mesmo antes da ação do conselho em Goiás, no fim da tarde da última sexta-feira (1º/10), o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal, onde o médico também tem registro, decidiu interditar preventivamente o profissional. De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, o ginecologista ficará suspenso de exercer qualquer atividade até o julgamento definitivo, que pode ocorrer em até 6 meses e ser prorrogado por mais seis meses. Dependendo do andamento do inquérito, Nicodemos pode até ter o registro profissional cassado.

Condenação e denúncias

O ginecologista tem uma condenação em primeira instância de dezembro de 2020 por importunação sexual. Segundo a vítima, o profissional colocou o dedo em suas partes íntimas, encostando nela por trás, durante um exame, em uma clínica do Samambaia (DF).

A operação da Delegacia da Mulher de Anápolis foi baseada no caso de três pacientes da cidade goiana que o denunciaram. Uma pessoa do Paraná chegou a denunciá-lo anteriormente, mas o caso foi arquivado.

De acordo com depoimentos, o médico tentava estimular sexualmente as pacientes durante procedimentos médicos, enviava mensagens e fazia comentários de conteúdo sexual. Ele também teria oferecido cirurgia em troca de sexo.

A defesa do ginecologista tem dito que as denúncias feitas contra o profissional têm relação com o “simples exercício profissional”. “O médico em nenhum momento realizou qualquer tipo de procedimento médico com cunho sexual”, diz nota assinada pelo advogado Carlos Eduardo Gonçalves Martins.

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