Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Brasil

Julgamento de Moraes é marcado por brigas entre ministros. Veja momentos.

Sessão que analisava investigação contra Moraes foi marcada por bate-bocas entre ministros e terminou sem decisão após pedido de vista

15/09/2026 21:07, atualizado 15/09/2026 21:27
Rosinei Coutinho/SCO/STF
Ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça no plenário do STF -- Metrópoles

A sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisou, nesta terça-feira (15/9), a possibilidade de abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por suposta ligação dele com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro foi marcada por uma sequência de embates e bate-bocas entre integrantes da Corte.

A sessão terminou no início da noite, algum tempo depois do pedido de vista do ministro Flávio Dino, após cerca de sete horas e meia de debate, deixando mais dúvidas do que respostas sobre o futuro de Moraes no tribunal e expondo a extensão da rachadura entre os ministros do Supremo.

Ainda pela manhã, os ministros Alexandre de Moraes, André Mendonça, Gilmar Mendes, Luiz Fux, Flávio Dino e Edson Fachin protagonizaram embates diretos.

Assista:

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Confira outros momentos abaixo:

Moraes x Mendonça

Os ministros STF Alexandre de Moraes e André Mendonça protagonizaram momentos de tensão no plenário da Corte.

A primeira discussão começou logo após o ministro Luiz Fux acusar a existência de uma Polícia Federal “paralela”.

Assista:

“Quem tem medo da Polícia Federal?”, questionou Moraes em certo momento da sessão. Mendonça fez menção de responder e Moraes interrompeu. “Eu não estou perguntando a Vossa Excelência”.

“Quem chamou a PF e exigiu que colocasse um colega na colaboração premiada”, completou o ministro. “E vamos trazer aqui testemunhas que eu vou indicar, não só policiais, advogados, testemunhas. Eu tenho testemunhas de que o ministro André, em reunião, disse: ‘Peçam, incluam o ministro Alexandre’“, declarou Moraes.

André Mendonça o interrompeu e começou a dizer que Moraes estava mentindo. “Pode chamar quem quiser, pode mentir.”

Moraes completou e disse que Mendonça estaria “a serviço de um grupo político que tentou dar um golpe no país”. Mendonça afirmou que “não iria responder”.

Gilmar Mendes x Mendonça

Um dos momentos de maior estresse, entretanto, aconteceu entre os ministros André Mendonça e Gilmar Mendes quando Mendonça discorria sobre um possível envolvimento do procurador-geral da República, Paulo Gonet, no Caso Master.

Gilmar Mendes interrompeu o colega de Corte e disse: É impressionante a desfaçatez desse sujeito”.

“Desfaçatez de Vossa Excelência. Me respeite”, respondeu Mendonça aos gritos.

Gilmar acrescentou: “Pode chorar”.

“Aqui não tem choro não. Respeite”, concluiu Mendonça.

Assista:

O bate-boca foi interrompido pelo ministro Flávio Dino, que pediu vista do julgamento, alegando que o debate sobre o tema estava “degradando” o STF. O magistrado criticou a condução do presidente da Corte, ministro Edson Fachin em relação às diversas “trocas de farpas” entre os magistrados.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

Fachin x Dino

Edson Fachin e Flávio Dino, por sua vez, também entraram em confronto durante a sessão. O ministro Dias Toffoli falava quando Dino o interrompeu, e Fachin interveio, elevando o tom de voz, para cobrar que o ministro siga as “regras da Corte”.

Veja:

Sessão encerrada sem decisão

A sessão extraordinária que analisava a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, no âmbito do Caso Master, terminou sem conclusão. A Corte também não definiu se os processos que envolvem Moraes e o ministro André Mendonça devem ser analisados separadamente ou em conjunto.

Na segunda parte da sessão, os ministros passaram a analisar uma questão de ordem apresentada pelo decano Gilmar Mendes. Ele propôs reunir os processos que envolvem Moraes e a conduta de Mendonça e adiar o julgamento para 23 de setembro.

O ministro Flávio Dino pediu vista e interrompeu a análise. Antes do encerramento, porém, o presidente do STF, Edson Fachin, deu a palavra a Luiz Fux e Cármen Lúcia, que anteciparam seus votos sobre a questão.

A sessão terminou com placar de 4 a 3 contra o entendimento apresentado por Gilmar. Votaram pela análise conjunta dos processos Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin. Ficaram contra o julgamento conjunto Edson Fachin, Luiz Fux, André Mendonça e Cármen Lúcia.

Dino também indicou inicialmente voto favorável à reunião dos processos, mas, como havia pedido vista, seu voto não foi contabilizado no placar. Com a interrupção, a definição sobre a forma de tramitação dos casos e a análise da investigação contra Moraes permanecem pendentes.