1 de 1 bolsonaro desembarca na rússia
- Foto: Valdenio Vieira/PR
O Itamaraty impôs sigilo de 5 anos – até 21 de fevereiro de 2027 – a algumas informações sobre a viagem do presidente Jair Bolsonaro (PL) à Rússia, pouco antes da invasão da Ucrânia executada pelo presidente russo Vladimir Putin. O Partido Socialismo e Liberdade (PSol) apresentou questionamentos ao Ministério das Relações Exteriores, como detalhes de agenda, participantes da comitiva e assuntos tratados, entre outros.
Entre as 15 perguntas, a bancada da sigla na Câmara questionou o Itamaraty sobre o conteúdo da conversa entre os presidentes. Os parlamentares pediram detalhes sobre possíveis menções ao conflito entre Rússia, Ucrânia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), assim como apontar de quem foi a iniciativa e com qual tom o assunto foi tratado.
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Ao menos uma vez por ano, Bolsonaro tira férias para descansar ao lado da família. Entre os destinos brasileiros preferidos do presidente, destacam-se Santa Catarina e São Paulo. Confira mais sobre os períodos de licença do presidente desde o início do mandato
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De 2021 para 2022, Bolsonaro passou sete dias em Santa Catarina para as festividades de fim de ano. Na ocasião, o atual presidente andou de jet ski, visitou o parque Beto Carrero World e aproveitou para descansar com a família
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As férias do presidente, no entanto, foram criticadas por parte dos brasileiros. Isso porque durante o período de lazer do chefe de Estado, a população da Bahia estava sofrendo com os desastres causados pelas fortes chuvas, que deixaram ao menos 25 pessoas mortas
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Além disso, os gastos do presidente durante as férias também geraram debate. Segundo a Secretaria-Geral da Presidência, a viagem de Bolsonaro custou quase R$ 900 mil aos cofres públicos. Ele estava acompanhado da esposa, Michelle Bolsonaro, da filha, Laura Bolsonaro, da enteada, Letícia, entre outras pessoas
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De 2020 para 2021, Bolsonaro passou 18 dias de férias em São Paulo e em Santa Catarina. Ao lado de familiares e convidados, Bolsonaro curtiu passeios pela região e contratou guias turísticos, entre outros
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Contudo, o custo das férias do presidente virou notícia. Segundo dados que partiram de balanço feito pelo deputado federal Elias Vaz (PSB-GO), a viagem de Bolsonaro custou R$ 2,4 milhões
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Em defesa, o governo alegou que os valores cobriram hospedagem, alimentação e bebidas, contratação de profissionais ou empresas terceirizadas para prestação de serviço e ainda gastos com entretenimento
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Em nota enviada ao Metrópoles, Vaz relatou ter recebido os dados apenas três meses depois de apresentar requerimento a órgãos do governo solicitando as informações detalhadas. Nas redes sociais, Bolsonaro recebeu várias críticas pelo que custou aos cofres públicos durante o primeiro ano da pandemia da Covid-19
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“Justamente em dezembro, quando o presidente cortou o auxílio emergencial alegando falta de recursos, teve um gasto milionário com férias. O valor total, mais de R$ 2,4 milhões, daria para pagar o benefício de R$300 para cerca de 8 mil pessoas”, criticou o deputado
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A Secretaria Especial de Administração da Secretaria-Geral da Presidência da República, por sua vez, informou ao parlamentar que a despesa com cartão corporativo das férias de Bolsonaro foi de R$ 1.196.158,40
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De 2019 para 2020, o destino escolhido pelo presidente para as férias foi Base de Aratu, região metropolitana de Salvador, que, por coincidência, também era um dos destinos preferidos do ex-presidente Lula
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Na ocasião, Bolsonaro viajou ao lado da filha, Laura, da enteada, Letícia Firmo, filha de Michelle, e ao lado de convidados. A primeira-dama não acompanhou o marido, pois precisou realizar uma cirurgia
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Também foi solicitada uma avaliação da fala de Bolsonaro em visita à Hungria, “insinuando que sua visita à Rússia teria relação com a retirada de tropas russas das proximidades da Ucrânia”. O Itamaraty respondeu que comentar declarações do presidente “foge à competência institucional do MRE”.
“Foram intercambiadas visões sobre assuntos internacionais e respectivos entornos regionais, como a situação ao redor da Ucrânia. Não houve documento oficial emanado da reunião”, resumiu o órgão.
O MRE, porém, impôs sigilo de cinco anos ao telegrama inserido entre os anexos do documento de respostas, acessado pelo Metrópoles. A restrição foi decretada em de fevereiro e os motivos para justificar o sigilo foram ocultados.
O Itamaraty respondeu a questões como os gastos discricionários da viagem, que incluem quase US$ 97 mil em diárias, mais de US$ 6 mil com intérpretes, cerca de US$ 125 mil com aluguel de veículos, US$ 12.595 com material de apoio ou escritório e US$ 890 com serviço de cerimonial.
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Carlos Bolsonaro e o pai, Jair Bolsonaro
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O presidente Jair Bolsonaro não foi recebido por Vladimir Putin na porta do Kremlin, sede do governo russo
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Putin chegou a perguntar sobre a facada que Bolsonaro recebeu durante a campanha presidencial em 2018
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Vladimir Putin e Jair Bolsonaro se encontraram em Moscou
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Jair Bolsonaro e Vladimir Putin seguiram juntos para o salão Ekaterina do Kremlin
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Presidente Jair Bolsonaro andando pelas ruas de Moscou
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Bolsonaro realizou teste para Covid-19 pouco antes de se encontrar com o chefe de Estado russo
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Bolsonaro passou três dias em Moscou
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Presidente Jair Bolsonaro na cerimônia militar de homenagem ao soldado desconhecido em Moscou, na Rússia
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No primeiro dia da viagem, o presidente brasileiro foi convidado a visitar o complexo do Kremlin
O PSol perguntou, também, se houve reuniões com representantes do Telegram ou se titulares da rede social participaram dos encontros entre Bolsonaro e Putin.
Também questionou se temas sociais como direitos da comunidade LGBTQIA+, direitos reprodutivos, proteção da família ou liberdade religiosa fizeram parte dos temas tratados entre os líderes.
A ambos os questionamentos, o Itamaraty disse que os tópicos não constavam no registro feito na Nota à Imprensa nº 24, publicada em 16 de fevereiro, com o título “Comunicado Conjunto do Presidente da República Federativa do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, e do Presidente da Federação da Rússia, Vladimir Putin”.
Veja o documento com as respostas do Itamaraty ao PSol: