Investigada no Pará, tenente acusada de desvios dá expediente na FAB
Joely Patrícia é sócia de uma casa lotérica no Pará, para onde teriam sido desviados R$ 23 milhões de recursos públicos da Universidade Federal Rural do Amazonas (UFRA)

Acusada de desvios milionários de recursos públicos em uma universidade rural do Amazonas, uma tenente da Força Aérea Brasileira (FAB), chegou a ser considerada foragida da Justiça, trabalha normalmente no governo federal.
Investigada na Operação Saldo Zero, desencadeada pelo Controladoria Geral da União (CGU), Ministério Público do Pará e pela Polícia Federal, a tenente Joely Patrícia Machado de Oliveira integra o quadro de oficiais temporários da Aeronáutica.
Atualmente Joely Patrícia dá expediente no Ministério da Defesa e integra a Sessão de Integridade da FAB — setor que trata das ações necessárias para manter a lisura na gestão pública.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles
Frequência de envio: Diário
Ver todasSegundo a força-tarefa que apurou o caso, Joely Patrícia é sócia de uma casa lotérica no Pará para onde foram desviados recursos públicos da Universidade Federal Rural do Amazonas (UFRA). Ao todo, mais de R$ 23 milhões foram surrupiados da Fundação de Apoio à Pesquisa, Extensão e Ensino em Ciências Agrárias (Funpea) entre 2014 e o ano passado.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesEm fevereiro, uma operação cumpriu 18 mandados, sendo 11 de buscas e apreensões e sete de prisões (foto em destaque). Na investida policial, cinco pessoas foram presas temporariamente e duas foram consideradas foragidas . Um dos nomes é o de Joely Patrícia.
A investigação começou em 2018, quando a reitoria da universidade denunciou que nenhum dos 16 projetos de fomento de avicultura, piscicultura, agricultura e para obras de saneamento básico em diversos municípios do Pará foi concluído.
Segundo os investigadores, repasses da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e Ministério da Integração Regional para elaboração e implantação dos projetos foram desviados com apoio de servidores e ex-servidores.
Joely Patrícia é ex-presidente da Comissão de Licitação da Funpea e sócia da casa lotérica Nova Marituba, no bairro paraense de mesmo nome. A empresa foi aberta em abril de 2014. Os sócios de Joely Patrícia, Ildenir do Carmo Vaz Vasques Silva (servidor da UFRA) e Jandira Pires Bessa (gerente financeira Funpea) chegaram a ser presos.
Um dia depois da prisão, o juiz da 4ª Vara Federal, Antônio Campelo revogou as detenções. Eles respondem o processo em liberdade.
Veja como funcionava o esquema de corrupção:

Segundo a investigação, houve direcionamentos de licitações para empresas de sócios dos membros da própria fundação. Eles faziam saques de quantias grandes nas bocas dos caixas bancários, em lugar de repasse para contas bancárias, dificultando a rastreabilidade do recursos, entre outros atos de corrupção.
Somente uma empresa vinculada a ex-empregados teria recebido pagamentos que totalizam R$ 12 milhões para prestação de serviços de assessoria. Contudo, o cumprimento do contrato nunca foi comprovado.
O outro lado
A reportagem entrou em contato com o Ministério da Defesa e com a FAB. Em uma nota conjunta, os órgãos da defesa nacional confirmaram que Joely Patrícia dá expediente, mas não quiseram comentar o caso. “O Comando da Aeronáutica não se pronuncia sobre processos em andamento”, resume o texto.
Após a publicação da reportagem, a FAB entrou em contato com o Metrópoles e explicou que a tenente passou a integrar o quadro da corporação antes de a operação ser deflagrada.
O Metrópoles tentou contato com a tenente e sua defesa, mas, até a última atualização desta reportagem, Joely Patrícia ou seus advogados não haviam sido localizados. O espaço continua aberto a manifestações.
Joely Patrícia foi promovida a primeiro-tenente da FAB em agosto de 2017. Ela fazia parte do quadro de oficiais da reserva de 2ª classe. Ganhou a promoção por “critério de antiguidade”, segundo portaria publicada no Diário Oficial da União. O salário médio para o cargo é de R$ 12,8 mil, segundo o Comando da Aeronáutica.


