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Brasil

Inflação desacelera a 0,67% em abril puxada por alimentos e remédios

Índice da inflação foi divulgado nesta terça-feira (12/5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

12/05/2026 09:03, atualizado 12/05/2026 11:27
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Os preços de bens e serviços do país subiram 0,67% em abril, após acelerarem 0,88% em março deste ano. Os dados fazem parte do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, divulgado nesta terça-feira (12/5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A alta da inflação foi puxada, principalmente, pelos grupos alimentação e bebidas e saúde e cuidados pessoais, que inclui remédios, com elevações de  1,34% e 1,16%, respectivamente. Também houve alívio do grupo transportes, com índice menor do que o verificado em março.

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Nos últimos 12 meses, a inflação acumula alta de 4,39%, acima do centro da meta (3%), mas dentro do teto (4,5%). No mesmo mês de 2025, a variação foi de 0,43%. No ano, ou seja, no acumulado de janeiro a abril do IPCA, a elevação corresponde a 2,60%.

A meta de inflação para 2026 é de 3%, com variação de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Com isso, o índice tem piso de 1,5% e teto de 4,5%, conforme estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).


O que é IPCA

  • O IPCA é calculado desde 1979 pelo IBGE. O índice é considerado o termômetro oficial da inflação e é usado pelo Banco Central para ajustar a taxa básica de juros, a Selic.
  • Ele mede a variação mensal dos preços na cesta de vários produtos e serviços, comparando-os com o mês anterior. A diferença entre os dois itens da equação representa a inflação do mês observado.
  • O IPCA mensura dados nas cidades, de forma a englobar 90% das pessoas que vivem em áreas urbanas no país.
  • O índice pesquisa preços de categorias como transporte, alimentação e bebidas, habitação, saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais, educação, comunicação, vestuário, artigos de residência, entre outros.

O IBGE pesquisa a inflação dividida em nove grupos distintos. O peso para cada grupo no IPCA é diferente, pois o instituto considera que alguns itens representam partes maiores nos orçamentos familiares.

Os maiores impactos em abril vieram dos grupos alimentação e bebidas e saúde e cuidados pessoais, que inclui remédios. No primeiro, os preços subiram 1,34% e tiveram impacto de 0,29 ponto percentual (p.p.). O segundo maior responsável pela inflação respondeu por 0,16 p.p. do índice total, com alta de 1,16%.

O alívio neste mês veio do grupo transportes, que inclui os combustíveis. Esse grupo de itens teve elevação de 1,64% em março e de 0,06% em abril.

A explicação para o recuo em transportes está na queda de 14,45% nas passagens aéreas, mas também houve reduções nos gastos de ônibus urbano (-1,13%). O subgrupo combustíveis continuou em alta (1,80%):

  • gasolina: 1,86%;
  • óleo diesel: 4,46%;
  • etanol: 0,62%;
  • gás veicular: -1,24%.

Alimentação

O grupo alimentação e bebidas desacelerou de 1,56% em março para 1,34% em abril, fazendo dele, ainda assim, o de maior alta e também maior impacto para o índice total.

O subgrupo alimentação no domicílio registrou alta de 1,64%, ante 1,94% em março, demonstrando leve recuo. A influência veio principalmente dos seguintes itens:

  • cenoura (26,63%);
  • leite longa vida (13,66%);
  • cebola (11,76%);
  • tomate (6,13%); e
  • carnes (1,59%).

Também houve quedas, casos do café moído (-2,30%) e do frango em pedaços (-2,14%).

“Alguns alimentos, de forma geral, apresentam uma restrição de oferta, o que provoca um aumento no nível de preços. No caso do leite, com a chegada do clima mais seco, sazonal no período, há redução de pasto, necessitando da inclusão de ração para os animais, o que eleva os custos. Não podemos deixar de mencionar a elevação no preço dos combustíveis, que afeta o preço final dos alimentos por conta do custo do frete”, explicou José Fernando Gonçalves, gerente do IPCA.

Remédios

A alta do grupo saúde e cuidados pessoais (1,16%) teve forte influência dos produtos farmacêuticos (1,77%), ou seja, os remédios. A medida tem relação com o reajuste autorizado de até 3,81% nos preços dos medicamentos, a partir de 1° de abril.

Ainda nesse grupo, tiveram participação importante para a alta os artigos de higiene pessoal (1,57%), com destaque para o perfume (1,94%).

Veja a variação do IPCA por grupos:

  • Alimentação e bebidas:  1,34%;
  • Habitação:  0,63%;
  • Artigos de residência:  0,65%;
  • Vestuário:  0,52%;
  • Transportes:  0,06%;
  • Saúde e cuidados pessoais:  1,16%;
  • Despesas pessoais:  0,35%;
  • Educação:  0,06%
  • Comunicação:  0,57%;

INPC tem variação de  0,81%

A inflação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) variou 0,81%, o que representa recuo frente a março (0,91%). Nos últimos 12 meses até abril, o INPC acumula alta de 4,11%.

O índice serve de referência para o reajuste do salário mínimo e de benefícios sociais.

O INPC é um indicador que mede a variação média dos preços de um conjunto específico de produtos e serviços consumidos pelas famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos mensais.