IBGE: prévia da inflação, IPCA-15 sobe 0,89%, puxado por alimentação
No acumulado de 12 meses, a prévia da inflação tem alta de 4,37%, ante os 3,90% observados nos 12 meses imediatamente anteriores
atualizado
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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação, indica que os preços de bens e serviços subiram 0,89% em abril. Os preços dos itens de alimentação e bebidas foram os que tiveram a maior alta no mês (1,46%) e também os com maior impacto no índice.
Os dados referentes ao IPCA-15 foram divulgados nesta terça-feira (28/4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No acumulado de 12 meses, a prévia da inflação tem alta de 4,37%, índice variação maior do que os 3,90% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em relação a abril de 2025, quando o índice registrou variação de 0,43%, houve aumento de 1,03 ponto percentual.
O IPCA-15
- O IPCA-15 difere do IPCA, que mede a inflação oficial do país, na abrangência geográfica e no período de coleta, que começa no dia 16 do mês anterior. Por essa razão, ele funciona como uma prévia do IPCA.
- O indicador coleta dados sobre as famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos. Ele abrange: Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador, Curitiba, Brasília e Goiânia.
- A próxima divulgação será no dia 27 de maio.
Destaques IPCA-15
Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados no período de 18 de março a 15 de abril de 2026 (referência) e comparados com aqueles vigentes de 13 de fevereiro a 17 de março de 2026 (base).
Os produtos e serviços que compõem o IPCA-15 são divididos em nove grupos. Todos eles apresentaram altas que variaram de 0,05% (educação) a 1,46% (alimentação e bebidas).
O grupo com maior impacto na inflação foi o de alimentação e bebidas, com elevação de 1,46% de março para abril. O peso no IPCA-15 varia de um grupo para outro, ou seja, não é igual. Isso acontece porque o IBGE considera que alguns itens são mais consumidos pelas famílias do que outros.
Neste mês, o maior índice também correspondeu à maior contribuição. A alta de 1,46% em alimentação e bebidas respondeu por 0,31 ponto percentual de todo o índice (0,89%).
A alta do grupo de alimentos foi puxada principalmente pela alimentação no domicílio, que acelerou 1,77% em abril após uma alta de 1,10% em março. Os itens que mais contribuíram foram:
- cenoura (25,43%);
- cebola (16,54%);
- leite longa vida (16,33%);
- tomate (13,76%); e
- carnes (1,14%).
Ainda no grupo de alimentação e bebidas, houve retrações, casos da maçã (-4,76%) e do café moído (-1,58%).
Guerra e combustíveis
Conforme o IBGE, o grupo de transportes, no qual se incluem os combustíveis, apresentou aceleração na inflação, a segunda maior entre os grupos. Em março o índice foi de 0,21% enquanto agora alta de 1,34%. A contribuição dos transportes para o índice de 0,89% foi de 0,27 ponto percentual.
No contexto da guerra no Oriente Médio, o subgrupo combustíveis, dentro de transportes, passou de retração de 0,03% em março para aumento de 6,06% em abril:
- gás veicular (-1,55%);
- etanol (+2,17%);
- gasolina (+6,23%%);
- óleo diesel (+16,00%).
Variação de cada grupo em abril:
- Alimentação e bebidas: 1,46%;
- Habitação: 0,42%;
- Artigos de residência: 0,48%;
- Vestuário: 0,76%;
- Transportes: 1,34%;
- Saúde e cuidados pessoais: 0,93%;
- Despesas pessoais: 0,32%;
- Educação: 0,05%;
- Comunicação: 0,48%
Projeções anuais
Segundo o relatório Focus, as previsões indicam que o IPCA fechará o ano em 4,86%.
Em 2026, a meta inflacionária é de 3%, com variação de 1,5 ponto percentual (com piso de 1,5% e teto de 4,5%). Se o acumulado em 12 meses ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, a meta é considerada descumprida.
O governo projeta que a inflação ficará em 3,7%, em 2026, e o Banco Central (BC) considera o índice de 3,9%.
