Impacto do caso Master leva FGC a resultado negativo bilionário
Liquidação do conglomerado Master impõe perdas recordes ao FGC e responde por um déficit de mais de R$ 50 bilhões
atualizado
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O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) encerrou 2025 com um patrimônio robusto de cerca de R$ 123 bilhões, mas registrou um déficit de R$ 17,1 bilhões no período, pressionado pelos efeitos da quebra do conglomerado Banco Master, o maior evento da história do fundo.
O resultado negativo reflete o volume extraordinário de recursos mobilizados para cobrir investidores e correntistas após a liquidação das instituições ligadas ao grupo. O rombo associado ao caso Master gira em torno de R$ 52 bilhões, exigindo desembolsos massivos do FGC ao longo de 2025 e 2026.
Somente em 2026, o FGC provisionou mais R$ 11,2 bilhões após a liquidação da Will Financeira, em janeiro, e do Banco Pleno, em fevereiro. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (28/4) no Relatório Anual 2025.
Caso Master
A crise do Master, liquidado pelo Banco Central (BC) em novembro de 2025, expôs fragilidades relevantes no sistema financeiro. O modelo do banco, baseado em captações agressivas e promessas de alta rentabilidade, acabou colapsando em meio a problemas de liquidez e suspeitas de irregularidades.
Com isso, o FGC foi acionado para garantir depósitos de clientes dentro do limite legal, o que gerou o maior desembolso já registrado pelo mecanismo de proteção financeira no país.
Antes mesmo da liquidação, o fundo já havia concedido assistência de liquidez ao conglomerado, numa tentativa de evitar uma crise sistêmica. Ainda assim, o agravamento da situação tornou inevitável a intervenção e posterior quebra das instituições.
Apesar do déficit contábil, o FGC mantém uma posição patrimonial considerada sólida, sustentada pelas contribuições obrigatórias dos bancos associados. O fundo funciona como uma espécie de seguro para depósitos e investimentos, garantindo até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em caso de quebra bancária.
Ainda assim, o episódio acendeu alertas no mercado financeiro. O rombo provocado pelo caso Master já levou a mudanças regulatórias e a custos maiores para os bancos, que financiam o FGC.
Já houve, inclusive, aportes adicionais bilionários por parte das instituições financeiras para recompor o caixa do fundo após os pagamentos aos credores.
