Henry rasgou blusa de babá para fugir de Jairinho, diz delegado

Em depoimento, Thayná Ferreira teria dito que chegou a receber R$ 100 do padrasto do menino para comprar uma roupa nova

atualizado 04/05/2021 16:33

Polícia do Rio investiga a morte de Henry BorelReprodução redes sociais

A babá de Henry Borel, Thayná Ferreira, contou, em depoimento, que a criança chegou a rasgar sua roupa ao agarrá-la com força para não entrar no quarto junto com o padrasto, Dr. Jairinho. De acordo com o delegado titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), Henrique Damasceno, o vereador deu R$ 100 para Thayná comprar uma nova blusa após o ocorrido.

“Ela comentou com o noivo que o menino chegou a rasgar a blusa dela, desesperado para não ir para o quarto com o padrasto. Depois, Jairinho deu uma importância de R$ 100 para ela”, explicou o delegado durante coletiva de imprensa na Cidade da Polícia, nesta terça-feira (4/5).

O delegado também lembrou uma outra passagem contada por Thayná: a babá teria percebido Jairinho tampando a boca de Henry enquanto estavam juntos no quarto, em um episódio de agressão ocorrido em fevereiro.

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“Parece estar tampando a boca do menino, uma doideira de verdade”, escreveu a babá em uma troca de mensagens. Ela teria ouvido o menino dizendo “prometo” para Jairinho, o que, segundo as investigações, corrobora a tese de que o vereador ameaçava Henry caso ele contasse as agressões para a mãe.

“O padrasto se trancou com o menino no quarto. O menino saiu, não se queixou de dores e só veio a se queixar quando mais tarde, inclusive, não quis brincar com outras crianças na brinquedoteca. Nesse primeiro episódio encontramos conversas entre ela (a babá) e o noivo. Ela dizia que parecia, de dentro do quarto, que o padrasto estava tampando a boca do menino, que dizia ‘eu prometo’. Foram episódios bastantes sérios”, relatou Damasceno.

Indiciamento

Dr. Jairinho e Monique Medeiros foram indiciados por dois dos quatro episódios de agressão envolvendo o menino Henry. Por um deles, em 12 de fevereiro, o padrasto foi indiciado por tortura, e Monique por omissão. Já pelo episódio que resultou na morte da criança, os dois foram indiciados por homicídio duplamente qualificado e por tortura.

Os dados da investigação já foram encaminhados ao Ministério Público, que pode denunciar o casal pelos crimes.

Os investigadores da 16ª DP (Barra da Tijuca) pediram a prisão preventiva do casal. Os dois, no entanto, já estão cumprindo prisão temporária de 30 dias desde o dia 8 de abril. A detenção foi determinada pelo 2º Tribunal do Júri, após a polícia alegar que havia suspeitas de o casal estava atrapalhando as investigações e ameaçando testemunhas.

A prisão temporária do casal vence as 23h59 do dia 7/5. O Ministério Público espera finalizar a análise o mais rápido possível dentro do prazo de cinco dias.

O advogado de Jairinho, Braz Sant’Anna, informou que aguarda a citação do vereador para falar nos autos do processo.

A defesa de Monique Medeiros disse, em nota que “o Inquérito Policial foi finalizado prematuramente com erros investigativos. Foram reinquiridas várias pessoas e admitida mudança de seus relatos. Monique não teve igual direito, em “dois pesos e duas medidas”. Mesmo a reconstituição dos fatos, baseada em versão irreal de Monique sob coação e dissimulação, é imprestável.”

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