Há município em que a idade média de vacinados é de 32 anos. Veja números no país
As cidades com a maior e a menor média de idade ficam em Minas Gerais: Bocaiúva tem os vacinados mais idosos; Minduri, os mais novos
atualizado
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A idade média dos vacinados contra a Covid-19 por município brasileiro varia em 49 anos. A menor média de idade foi calculada em Minduri (MG), onde somente 12 doses do imunizante foram aplicadas até o fim de maio, todas em pessoas com menos de 40 anos. Assim, a média na cidade ficou em 32,33 anos. Uma outra cidade mineira tem a maior média de idade. É Bocaiúva, com 81,33 anos e só seis doses aplicadas. A média de idade para todo o país é de 62,03 anos.
Os cálculos foram feitos pelo (M)Dados, núcleo de análise de grande volume de informações do Metrópoles, em cima dos microdados da vacinação publicados pelo Ministério da Saúde. Eles levaram em conta todas as aplicações inseridas no sistema até 31 de maio.
Apesar de haver grande variabilidade nas idades médias nos 5.570 municípios do país, apenas em 70 deles há um indicador menor do que 50 anos. Isso acontece porque os grupos prioritários na campanha desenhada pelo Ministério da Saúde reuniam aqueles mais suscetíveis a morrer por causa da doença, que são os idosos e as pessoas com comorbidades.
O gráfico a seguir mostra a quantidade de cidades com idade média por faixa etária. A maioria está no grupo entre 58 e 65 anos.
“A definição dos grupos prioritários faz sentido, foi por critérios técnicos. Foi feita com base em quem tem mais risco de adoecer e desenvolver quadro grave. Começou pelos idosos e depois foi para as comorbidades, além das profissões daqueles que têm muito contato com o público”, explica o epidemiologista da Sala de Situação da UnB Mauro Sanchez.
Entre os vacinados com menos de 23 anos, que somam 927 mil pessoas no país, 626 mil (67,5%) dizem respeito a trabalhadores da saúde. Outro ponto que levou à imunização de diversas pessoas mais jovens foram as vacinas destinadas aos povos indígenas. Esse é o segundo maior grupo nos vacinados com menos de 23 anos, com 92 mil, seguido por pessoas com comorbidades (75,6 mil).
Há ao todo 16 grupos que levaram à vacinação de pessoas com menos de 23 anos. Isso acontece porque “o Brasil é uma Federação, então cada local tem autonomia para decidir a maioria das coisas [envolvendo a vacinação] mesmo que não esteja alinhado com o Ministério da Saúde”, explica Sanchez.
Um exemplo são os 370 trabalhadores portuários com menos de 23 anos vacinados em todo o Brasil. Para quem não vive numa cidade com um porto, pode parecer estranha a inclusão da categoria entre grupos prioritários. “Ajustes podem acontecer respeitando a realidade local”, resume Sanchez.
Hoje, no entanto, a maioria das cidades já está vacinando por idade. Com isso, começaram as comparações para ver onde seria mais rápido se vacinar. Quanto mais jovem, maior a ansiedade, já que, teoricamente, será necessário esperar mais para se vacinar.
Sanchez explica, contudo, que a comparação entre unidades federativas levando em conta a menor idade para a vacina, hoje, é enganosa. “Isso depende da demanda dos grupos prioritários, que varia de local para local”, apontou. “Essa comparação é em parte a politização da questão, o que não é desejável.”
Para ele, “o que é justo comparar é o percentual da população vacinada com a segunda dose”. Nesse quesito, 11,35% da população brasileira já está totalmente imunizada. O estado com o maior percentual é o Rio Grande do Sul, com 14,19%, e o com o menor, o Acre, com 7%.
“A variação nesse quesito é pequena. Como a coordenação é central, não tem como um estado ter 30% de imunizados e outro, 10%”, diz Sanchez. Isso porque quem define quantas doses serão enviadas para cada estado é o Ministério da Saúde. A autonomia para aplicar cada vacina precisa levar esse total em conta.



















