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Grupo de parlamentares defende mais debate e adiamento do fim da 6×1

Parlamentares criticaram calendário proposto por Hugo Motta, que defende analisar PEC que acaba com escala 6×1 ainda no primeiro semestre

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Coalizão de frentes parlamentares do setor produtivo critica calendário de Hugo Motta para fim da escala 6×1.
1 de 1 Coalizão de frentes parlamentares do setor produtivo critica calendário de Hugo Motta para fim da escala 6×1. - Foto: Kevin Lima/Metrópoles

Uma coalizão de frentes parlamentares ligada ao setor produtivo defendeu nesta segunda-feira (2/3) aprofundar os debates e adiar a análise de propostas que acabam com a chamada escala 6×1 — seis dias de trabalho para um de descanso.

Deputados que lideram o grupo fizeram críticas ao calendário proposto pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para discutir o tema.

O fim da escala 6×1 é uma das prioridades deste ano para Motta. O paraibano tem dito que pretende analisar ainda no primeiro semestre uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com esse modelo de jornada.

Na avaliação das frentes parlamentares, a discussão da PEC está contaminada e tem sido impactada por um viés eleitoral. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) definiu a mudança da escala como um dos motes de sua campanha à reeleição. Membros do governo defendem uma redução da jornada máxima de trabalho para 40 horas semanais, sem redução de salário.

“Acho um absurdo colocar um prazo na cabeça da gente para votar. Queremos uma contrapartida que seja responsável, e não eleitoreira”, disse a presidente interina da Frente Parlamentar do Livre Mercado, deputada Bia Kicis (PL-DF).

Coalizão de 25 frentes parlamentares

Em um jantar na sede da Frente Parlamentar pelo Livre Mercado, representantes da coalizão defenderam que o Congresso discuta uma “modernização da jornada de trabalho”. O grupo reúne 25 frentes parlamentares do setor produtivo, como a Frente Parlamentar pela Melhoria do Ambiente de Negócio e a Frente Parlamentar da Agropecuária.

Questionados pela imprensa, lideranças das bancadas preferiram não adiantar um “formato ideal”, mas defenderam flexibilizações nas relações trabalhistas.

“Concordamos em ter debate, mas aprofundado. O que queremos é poder debater profundamente esse tema”, afirmou o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Pedro Lupion (Republicanos-PR).

A análise da PEC da escala 6×1 foi destravada por Motta no início de fevereiro, quando o presidente da Câmara encaminhou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) uma proposta apresentada pela deputada Erika Hilton (PSol-SP).

  • A CCJ é a primeira etapa de análise de propostas de emenda à Constituição. Nessa fase, os deputados não podem alterar o conteúdo do texto — cabe ao colegiado apenas decidir se a matéria está apta a seguir em tramitação. Motta tem projetado que essa fase inicial deve ser concluída ainda em março. 
  • Se a PEC for admitida pela CCJ, seguirá para uma comissão especial — responsável por discutir o mérito e propor eventuais mudanças no texto. A última etapa é a votação em plenário, onde são necessários, no mínimo, 308 votos favoráveis — em dois turnos — para aprovar o texto.

Motta quer votar no primeiro semestre

Hugo Motta tem dito que todas as fases podem ser concluídas ainda no primeiro semestre. Em entrevista ao Metrópoles, ele afirmou, na última semana, que a PEC pode ir à votação final em maio.

Segundo parlamentares da coalizão, representantes do setor produtivo já procuraram Hugo Motta para defender uma ampliação do debate e pressionar por um novo calendário.

“Não pode ocorrer no calendário que eles querem. Nosso ponto é debater e encontrar um caminho correto”, disse Lupion.

Impactos na economia

Para os representantes do setor produtivo no Congresso, o calendário de Motta é “eleitoreiro” e pode gerar impactos na economia. Nesta segunda, os parlamentares assistiram a uma apresentação de José Eduardo Gibello Pastore sobre um estudo encomendado pela Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca) sobre a redução da jornada de trabalho.

O documento afirma que, em uma redução da escala máxima para 36 horas semanais sem redução de salário, haverá um aumento de 22% do salário-hora do funcionário e da folha salarial.

“A estimativa tende a crescer, quando se consideram as várias medidas que as empresas precisarão adotar para ajustar as escalas para os folguistas”, diz o estudo.

O levantamento sustenta que o fim imediato da escala 6×1 pode levar à “forte retração das atividades econômicas e do Produto Interno Bruto”.

“A redução de jornada por meio de PEC ou lei ordinária reduzirá as oportunidades de trabalho. Emprego é gerado por crescimento econômico e instituições amigáveis”, acrescenta.

Para o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), os preços “vão aumentar em todo o país”. “Nós não somos do contra, mas precisamos ser coerentes. As coisas vão ficar mais caras. A vida vai ficar mais cara. É remar contra a corrente. Aprovar é confortável, mas não fica bem na fita”, disse.

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