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Brasil

Governo Lula libera R$ 33,89 bilhões de emendas em 2026 e bate recorde

Valor pago até a primeira semana de julho deste ano, antes do defeso eleitoral, ultrapassa o registrado nos últimos cinco ciclos eleitorais

06/07/2026 19:55
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Ricardo Stuckert / PR
Presidente Lula no Palácio do Planalto

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembolsou R$ 33,89 bilhões em emendas parlamentares entre janeiro e a primeira semana de julho deste ano, valor que representa a maior liberação de verbas para deputados e senadores para o período em um ano eleitoral.

A partir do último sábado (4/7), com o início do defeso eleitoral, o governo ficou proibido de realizar repasses de emendas. No período, que tem início a três meses da eleição, agentes públicos passam a cumprir uma série de regras para evitar que o poder público seja utilizado para influenciar o eleitorado.

De acordo com levantamento a partir de dados do Siga Brasil, sistema do Senado Federal que consolida informações tais orçamentárias desde 2015, o valor de repasses de emendas neste ano ultrapassa o registrado nos últimos cinco ciclos eleitorais, incluindo disputas gerais e municipais.

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Confira os valores liberados:

  • Entre janeiro e julho de 2026: R$ 33,89 bilhões
  • Entre janeiro e julho de 2024: R$ 29,40 bilhões
  • Entre janeiro e julho de 2022: R$ 23,70 bilhões
  • Entre janeiro e julho de 2020: R$ 15,54 bilhões
  • Entre janeiro e julho de 2018: R$ 6,88 bilhões
  • Entre janeiro e julho de 2016: R$ 1,41 bilhão

O total desembolsado até o momento neste ano corresponde a 75,3% de tudo o que foi pago ao longo de 2025, quando as emendas somaram R$ 44,97 bilhões.

Na comparação com a última eleição presidencial, em 2022, o valor de 2026 já é 20,9% superior: nos 12 meses daquele ano foram pagos R$ 28,04 bilhões.

Que tipos de emendas foram pagas neste ano

Dos R$ 33,89 bilhões pagos em emendas parlamentares neste ano, R$ 18,55 bilhões correspondem a emendas individuais, destinadas diretamente por deputados e senadores. As emendas de comissão somam R$ 7,68 bilhões, enquanto as de bancada estadual alcançam R$ 7,28 bilhões.

Também foram pagos R$ 386,05 milhões em emendas de relator-geral. Esse tipo de recurso, conhecido como orçamento secreto, que era utilizado para ajustes técnicos no Orçamento, foi proibido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2022 para a alocação de despesas discricionárias. Ainda assim, valores remanescentes de anos anteriores, liberados durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seguem sendo pagos.

Defeso eleitoral

Desde o último sábado (4/7), passaram a valer as regras do período de defeso eleitoral. A partir desse momento, agentes públicos ficam sujeitos a restrições mais rigorosas, especialmente no que diz respeito à publicidade institucional.

Candidatos também ficam impedidos de participar de inaugurações de obras públicas ou de ações de divulgação de serviços governamentais.

As medidas entram em vigor três meses antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, e têm como objetivo evitar o uso da máquina pública para fins eleitorais. As exceções são casos de grave e urgente necessidade pública.

Durante esse período, a legislação também restringe o pagamento de emendas e outras transferências voluntárias da União.

Além disso, fica proibida a veiculação de pronunciamentos em cadeia nacional de rádio e televisão, salvo em situações de urgência ou relevância, conforme avaliação da Justiça Eleitoral.

Órgãos públicos ainda devem remover de sites e redes sociais conteúdos que possam associar ações institucionais a autoridades ou gestões em disputa, incluindo nomes, símbolos, slogans ou imagens. Também é vedada a contratação de shows artísticos com recursos públicos.