Governo dá prazo para TikTok responder sobre trend “caso ela diga não”

Em cinco dias corridos, o TikTok deverá apresentar ao Ministério da Justiça informações sobre medidas para detecção de conteúdos misóginos

atualizado

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palácio da justiça ministério da justiça
1 de 1 palácio da justiça ministério da justiça - Foto: Reprodução/EBC

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) enviou nesta terça-feira (10/3) um ofício ao TikTok requisitando informações sobre as medidas adotadas pela rede social diante da circulação de conteúdos misóginos associados à trend “treinando caso ela diga não”. A pasta estabeleceu cinco dias para a resposta da plataforma.

Na última semana, diversos usuários publicaram vídeos que fazem apologia à violência contra a vida e a integridade física de mulheres no TikTok. O conteúdo desses vídeos consiste em homens simulando agredir uma mulher com chutes, socos e esfaqueamentos caso ela diga não para eles após um suposto pedido de casamento ou namoro.

Segundo o documento, a circulação massiva da trend representa “riscos de falha sistêmica“.

No prazo de cinco dias corridos, o TikTok Brasil deverá apresentar ao ministério informações detalhadas sobre as medidas técnicas e organizacionais adotadas para detecção e supressão proativa de conteúdo misógino, incluindo:

  • funcionamento dos sistemas automatizados de moderação;
  • mecanismos de revisão humana;
  • monitoramento de tendências emergentes;
  • controles sobre o algoritmo de recomendação.

A plataforma também deverá apresentar uma avaliação de risco sobre a recorrência desse tipo de conteúdo e informar se os perfis responsáveis pela disseminação foram monetizados ou receberam qualquer tipo de remuneração pelo alcance obtido.

A iniciativa foi conduzida de forma conjunta pelas Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi), Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ambas da pasta da Justiça e Segurança Pública.

Checagem cibernética

Paralelamente, o MJSP determinou o envio ao Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), vinculado à Diretoria de Operações Integradas e Inteligência (Diopi/Senasp), de registros técnicos e metadados que possam auxiliar na identificação da autoria e da materialidade dos ilícitos, em apoio às investigações policiais em andamento.

Como mostrou o Metrópoles, nessa segunda-feira (9/3) a Polícia Federal (PF) abriu um inquérito para apurar a conduta de usuários que participaram da trend. A corporação ainda derrubou os perfis que publicaram conteúdos misóginos. A decisão da PF se deu após a Advocacia-Geral da União (AGU) apresentar, no último domingo (8/3), notícia-crime à PF solicitando a abertura do inquérito.

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