Governo avalia MP para evitar bomba fiscal com dívidas do agro
Equipe econômica do governo estuda enviar uma Medida Provisória (MP) para tentar contornar bomba fiscal que tramita no Congresso Nacional

A equipe econômica estuda enviar uma Medida Provisória (MP) ao Congresso Nacional para resolver o impasse sobre a renegociação de dívidas rurais e o avalia medidas para aliviar o endividamento de produtores.
A renegociação das dívidas do setor virou ponto de tensão entre a equipe econômica e a bancada do agronegócio, que pressiona por uma solução mais ampla.
Na última terça-feira (7/7), membros da Frente Parlamentar do Agronegócio (FPA) se reuniram com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, para tratar sobre o assunto. Uma nova reunião deve acontecer nesta quarta-feira (8/8).

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Ver todasDo lado da equipe econômica, a preocupação é impedir que o socorro ao agro se transforme em uma “bomba fiscal”, conforme projeto aprovado pelo Senado Federal e que agora tramita na Câmara dos Deputados. Por isso, as propostas em análise buscam limitar o alcance da renegociação e priorizar produtores que enfrentaram perdas recentes, seja por eventos climáticos adversos, seja por oscilações de mercado.
Entre as alternativas discutidas estão o alongamento dos prazos de pagamento, que podem chegar a até uma década, com período de carência inicial, além da redução das taxas de juros em determinadas linhas de crédito.
Confira os pontos que devem ser apresentados na MP:
- Teto de até R$ 8 milhões por renegociação;
- Delimitação de produtores afetados por intempéries climáticas, não levando em consideração produtores que tiveram perda de renda;
- Juros que variam entre 6% e 12% e prazo de pagamento de até 8 anos, sendo 2 de carência;
Outra possibilidade é a criação de mecanismos de garantia, com participação do governo, para facilitar o acesso a novos financiamentos.
No Congresso, porém, senadores defendem uma solução mais abrangente, incluindo limite de crédito de R$ 10 milhões por beneficiário e de até R$ 50 milhões para cooperativas, enquadramento por comprovação de perda de no mínimo 30% da renda bruta em pelo menos duas ou mais safras entre 2019 e 2025 e juros variando entre 3,5% e 7,5%, conforme o porte do produtor, e prazos de até 13 anos, sendo no mínimo dois anos de carência.
O embate gira, sobretudo, em torno da dimensão do programa. A Fazenda busca restringir o alcance para reduzir riscos fiscais.
O líder do governo na Câmara Paulo Pimenta (PT-RS), afirmou que existe uma divergência conceitual entre parlamentares e o governo. “Eu, particularmente, defendo que as medidas devem atender apenas somente os produtores e produtoras que foram atingidos pelos eventos climáticos”, disse após a reunião com Durigan.
Já o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), avaliou que os parlamentares entendem que os produtores que passaram por perdas climáticas precisam ter o auxílio, mas destacou que não existe a possibilidade de abrir mão do texto aprovado pelo Senado.
“O cerne do texto aprovado no Senado foi justamente o enquadramento daqueles que tiveram perda de renda devido aos problemas do endividamento rural. Então, nós vamos insistir com isso e não vamos abrir, absolutamente, mão disso”, destacou.


