Motta recebe bancada do agro para discutir PL das dívidas rurais
Presidente da Câmara não disse se pautará projeto visto como "pauta-bomba" pelo governo, mas afirma que ouvirá todos os setores

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), recebeu nesta terça-feira (23/6) parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), a bancada ruralista do Congresso, para discutir o projeto de lei das dívidas rurais.
A proposta preocupa o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), porque autoriza o uso de recursos do Fundo Social do pré-sal para a renegociação de dívidas de produtores rurais. A equipe econômica estima impacto de R$ 140 bilhões para o Tesouro Nacional ao longo de dez anos.
Motta publicou nas redes sociais um registro da reunião com a bancada do agro, mas não disse se pretende pautar a proposta.
“Seguirei minha atuação com todo equilíbrio e responsabilidade, ouvindo a todos”, declarou o presidente da Câmara.
Acabo de receber representantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). O grupo me trouxe suas demandas acerca do PL 5122/23, que trata da renegociação de dívidas dos produtores rurais.
Em outra reunião, estive com representantes do setor sucroenergético e a deputada… pic.twitter.com/PH5f649QJB
— Hugo Motta (@HugoMottaPB) June 23, 2026
A proposta chegou à Câmara depois de ser aprovada pelo Senado, em meio a uma sequência de votações que acenderam o alerta do governo sobre as chamadas “pautas-bomba”. O projeto tem forte apelo junto ao setor ruralista, que defende a renegociação como resposta ao endividamento de produtores afetados por juros altos, quebras de safra e dificuldades de crédito.
Nos bastidores, governistas avaliam que Motta tenta equilibrar a pressão do agro com o discurso de responsabilidade fiscal. Aliados do governo afirmam que a Câmara pode funcionar como uma espécie de freio para propostas aprovadas pelo Senado com alto custo para os cofres públicos.
A movimentação também ocorre após o governo retirar a urgência constitucional do projeto que acaba com a escala 6×1, em um acordo com Motta para destravar a pauta da Câmara e evitar a votação de propostas consideradas sensíveis para a área econômica.

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