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Brasil

Acordo com Motta: Lula retira urgência da 6x1 para conter pautas-bomba

Após o Senado avançar com propostas de R$ 215 bilhões de impacto fiscal, governo reforça aposta na interlocução com o presidente da Câmara

17/06/2026 02:00
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VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Brasília (DF) 03/02/25. Presidente Lula recebe os recém-eleitos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), no Palácio do Planalto.

A decisão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de retirar a urgência constitucional do projeto de lei que acaba com a escala 6×1 fez parte de um acordo com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para segurar a análise de propostas de alto impacto fiscal — as chamadas “pautas-bomba” — que chegaram do Senado à Casa.

Só na semana passada, o Senado avançou com três propostas que, juntas, podem causar um impacto de cerca de R$ 215 bilhões para o governo.

A que mais preocupa o Palácio do Planalto é o projeto que autoriza o uso de recursos do Fundo Social do pré-sal para a renegociação de dívidas rurais. A equipe econômica estima um impacto de R$ 140 bilhões para o Tesouro Nacional ao longo de dez anos.

O texto foi aprovado pelo plenário do Senado em 10 de junho e encaminhado à Câmara. No entanto, na terça-feira (16/6), líderes partidários ouvidos pelo Metrópoles afirmaram que ainda não há previsão para a análise da proposta e relataram que Motta considera difícil aprovar um texto com elevado impacto sobre as contas públicas.

Entre as propostas que preocupam a equipe econômica, está também outro projeto aprovado pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado, em caráter terminativo, que eleva o piso salarial de médicos e cirurgiões-dentistas para R$ 13.662 em jornadas de 20 horas semanais.

Hoje, o piso das categorias é de R$ 3.636. O Ministério da Fazenda estima impacto fiscal de R$ 47 bilhões. A matéria seguiu para a Câmara.

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, ainda, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria regras próprias de aposentadoria para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias.

O texto foi aprovado pela Câmara em outubro de 2025. À época, a proposta foi alvo de críticas de integrantes do governo, porque os deputados não apresentaram uma estimativa do impacto orçamentário da medida.

Ao Metrópoles, o Ministério da Previdência afirmou que a nova regra pode ampliar em R$ 27 bilhões o rombo projetado para o sistema previdenciário no longo prazo.

Ainda segundo o ministério, a nova regra faria com que os agentes contribuíssem por menos tempo e passassem a receber benefícios mais cedo, o que reduz a arrecadação e amplia as despesas do sistema. Esse efeito poderia aumentar em mais de R$ 54 bilhões o desequilíbrio das contas previdenciárias nos próximos 80 anos.

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Aprovação de projetos que preocupam a equipe econômica amplia a pressão na relação entre o Planalto e o comando do Senado
Integrantes do governo avaliam que hoje há mais espaço para negociação com Hugo Motta do que com Davi Alcolumbre em pautas de interesse do Planalto
Governo aposta na interlocução com Hugo Motta para conter, na Câmara, o avanço de propostas aprovadas pelo Senado com elevado impacto fiscal
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Governo aposta na interlocução com Hugo Motta para conter, na Câmara, o avanço de propostas aprovadas pelo Senado com elevado impacto fiscal

LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova
Aprovação de projetos que preocupam a equipe econômica amplia a pressão na relação entre o Planalto e o comando do Senado
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Aprovação de projetos que preocupam a equipe econômica amplia a pressão na relação entre o Planalto e o comando do Senado

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Integrantes do governo avaliam que hoje há mais espaço para negociação com Hugo Motta do que com Davi Alcolumbre em pautas de interesse do Planalto
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Integrantes do governo avaliam que hoje há mais espaço para negociação com Hugo Motta do que com Davi Alcolumbre em pautas de interesse do Planalto

BRENO ESAKI/METRÓPOLES

Maior diálogo com Motta

A avaliação no governo é que, hoje, há maior capacidade de interlocução com Motta do que com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, chegou a procurar Alcolumbre para tentar frear o avanço das propostas de alto impacto fiscal, mas a iniciativa não surtiu efeito.

A aprovação dos textos ampliou a pressão sobre a relação entre o governo e o comando do Senado, que já vinha desgastada após a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).


Plano do governo

  • Governo vê em Hugo Motta um interlocutor mais acessível para barrar propostas com alto impacto fiscal;
  • Relação com Davi Alcolumbre se desgastou após sucessivos atritos entre o Senado e o Planalto;
  • Tentativa do ministro da Fazenda, Dario Durigan, de frear as pautas no Senado não teve resultado;
  • Aprovação de projetos bilionários reforçou a avaliação de que o governo tem menos influência sobre a agenda do Senado.

Retirada da urgência constitucional

A decisão foi publicada em despacho enviado ao Congresso.

Em abril, o governo enviou ao Congresso um projeto de lei próprio para acabar com a escala 6×1. A proposta foi encaminhada com urgência constitucional, mecanismo que estabelece prazo de 45 dias para análise em cada uma das Casas Legislativas: Câmara e Senado.

Apesar da iniciativa do Planalto, Motta optou por priorizar a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o tema, que já estava em análise na Casa. Nos bastidores, a avaliação era que avançar com a proposta de emenda à Constituição garantiria maior protagonismo político à Câmara em uma pauta de forte apelo popular.

A PEC que prevê o fim da escala 6×1 foi aprovada pelo plenário da Câmara em 27 de maio. Enquanto isso, o projeto de lei enviado pelo governo permaneceu sem votação.

O prazo de 45 dias da urgência constitucional expirou em 30 de maio, o que fez a proposta passar a trancar a pauta da Câmara. Na prática, nenhum outro projeto poderia ser votado até que o texto fosse apreciado.

No Senado, porém, a tramitação enfrenta resistência. Ainda na série de atritos com o governo, Alcolumbre não pretende acelerar a análise da PEC.

A estratégia inicial do Planalto era manter a urgência do projeto de lei justamente para pressionar o Senado a avançar com a proposta. No entanto, a aprovação de projetos de alto impacto fiscal na Casa levou o governo a rever o plano.

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