Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Brasil

Governo anuncia presença permanente de segurança em terra Yanomami

O governo federal empregará R$ 1,2 bilhão de orçamento para medidas consideradas permanentes, em vez de emergenciais, para os Yanomamis

09/01/2024 14:18, atualizado 09/01/2024 15:28
Igor Evangelista/MS
Foto colorida de atendimento médico de Yanomamis por médicos enviados pela Força de Saúde do Ministério da Saúde - Metrópoles

O governo federal anunciou, nesta terça-feira (9/1), medidas de apoio permanente à população Yanomami, em Roraima. Dessa forma, será empregado R$ 1,2 bilhão de “orçamento excepcional” para medidas da chamada Casa do Governo, como o reforço da segurança da área, onde os indígenas vivem sob ameaça de garimpeiros ilegais.

Segundo o ministro Rui Costa, da Casa Civil, isso significa a presença “permanente” do monitoramento da região, com as Forças Armadas e Polícia Federal.

Governo anuncia presença permanente de segurança em terra Yanomami - destaque galeria
9 imagens
PRF apreende armas de garimpeiros em terra Yanomami
Operação na Terra Indígena Yanomami destrói barracas de garimpeiros
Corpo de menina de 7 anos morta em ataque contra Terra Yanomami é encontrado
Busca na casa de um dos supostos envolvidos em garimpo ilegal
Lula e Janja se encontraram com a associação Suraras do Tapajós, o primeiro grupo de carimbó de mulheres indígenas do país
FAB resgata indígenas durante ataque a terra Yanomami, em julho
1 de 9

FAB resgata indígenas durante ataque a terra Yanomami, em julho

Reprodução
PRF apreende armas de garimpeiros em terra Yanomami
2 de 9

PRF apreende armas de garimpeiros em terra Yanomami

PRF/Divulgação
Operação na Terra Indígena Yanomami destrói barracas de garimpeiros
3 de 9

Operação na Terra Indígena Yanomami destrói barracas de garimpeiros

Polícia Federal/Polícia Federal
Corpo de menina de 7 anos morta em ataque contra Terra Yanomami é encontrado
4 de 9

Corpo de menina de 7 anos morta em ataque contra Terra Yanomami é encontrado

Divulgação / CBMR
Busca na casa de um dos supostos envolvidos em garimpo ilegal
5 de 9

Busca na casa de um dos supostos envolvidos em garimpo ilegal

Polícia Federal/Divulgação
Lula e Janja se encontraram com a associação Suraras do Tapajós, o primeiro grupo de carimbó de mulheres indígenas do país
6 de 9

Lula e Janja se encontraram com a associação Suraras do Tapajós, o primeiro grupo de carimbó de mulheres indígenas do país

Secom/PR
Presidente Lula participou de evento com indígenas em Brasília em abril
7 de 9

Presidente Lula participou de evento com indígenas em Brasília em abril

Vinícius Schmidt/Metrópoles
Lula durante visita a indígenas acampados em Brasília
8 de 9

Lula durante visita a indígenas acampados em Brasília

Vinícius Schmidt/Metrópoles
Lula ao lado de indígenas
9 de 9

Lula ao lado de indígenas

Ricardo Stuckert
“Nós iremos, em 30 dias, junto com Ministério da Defesa e Polícia Federal, estruturar e reestruturar as Forças Armadas da região, não como forma provisória ou emergencial, mas como presença definitiva para retirar definitivamente eventuais invasores da região”, afirmou o ministro.

O ministro chamou de “vitorioso” o resultado do trabalho contra o crime organizado na terra e contou mais de 400 operações que apreenderam R$ 600 milhões “em patrimônio e recursos financeiros de grupos ilegais”.

Para o governo, essa é uma saída “de um ano de situações emergenciais para ações permanentes em 2024, é uma mudança de página a partir da reunião”, realizada mais cedo no Palácio do Planalto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e demais ministros.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Para Rui, entre “erros e acertos do que conseguimos fazer ou não, a conclusão é que precisa de uma coisa permanente, um novo padrão de ocupação”.

Além das Forças Armadas e Polícia Federal, o governo instalará na Casa de Governo os ministérios dos Povos Indígenas, Meio Ambiente, Direitos Humanos e Educação; a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai); Agência Brasileira de Inteligência (Abin); Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama); e Polícia Rodoviária Federal.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

Lula convoca reunião

A nova reunião ocorre após uma possível insatisfação de Lula com os resultados na terra indígena em 2023, conforme apurou o Metrópoles. Em dezembro, Lula havia realizado um encontro no dia 22, para cobrar a Funai e o Ministério dos Povos Indígenas para mais planos efetivos de ações na terra Yanomami.

Isso ocorreu um dia após a Justiça Federal de Roraima determinar uma audiência para elaboração de um novo cronograma do combate ao garimpo ilegal na região.

Ao começar a reunião de mais cedo, Lula ressaltou o problema dos extratores ilegais e disse que o governo não pode “perder uma guerra” para esse problema.

“A gente vai decidir tratar a questão de Roraima, questão indígena, dos Yanomami, como uma questão de Estado. A gente vai ter que fazer um esforço ainda maior, utilizar todo o poder que a máquina pública pode ter, porque não é possível que a gente possa perder uma guerra para garimpo ilegal, para madeireiro ilegal, para pessoas que estão fazendo coisas contra o que a lei determina”, anunciou.

Governo enfrenta crise humanitária

Em janeiro de 2023, no primeiro ano do novo mandato de Lula, o governo federal se mobilizou para combater o que foi decretado como uma crise humanitária entre os Yanomamis, que tinham altos números de casos de malária e desnutrição, especialmente entre as crianças.

O novo governo apontou negligência com os indígenas durante os anos de gestão de Jair Bolsonaro (PL). Desde então, o Executivo tem dispensado esforços para mais atendentes de saúde em Roraima, além do envio de alimentos.

Entre janeiro e novembro de 2023, 308 pessoas da etnia morreram na terra indígena, das quais, 52,5% são crianças de até 4 anos. A informação consta no relatório mais recente divulgado pela Secretaria de Saúde Indígena, do Ministério da Saúde (Sesai).