Facções menores e aliadas ao PCC e ao CV preocupam autoridades
Organizações criminosas do interior têm atuado em parceria com as duas maiores facções do país. Governo mapeou 88 grupos nos presídios

Sendo o principal desafio da segurança pública brasileira, as duas maiores facções criminosas do país, Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), têm registros de atuação em 25 unidades da Federação e no Distrito Federal.
Apesar da preocupação com o avanço e o domínio de territórios, o surgimento de outros grupos criminosos passaram a receber maior atenção das autoridades.
O dado mais recente do Mapa das Organizações Criminosas (Orcrims) 2024, do Ministério da Justiça, detectou pelo menos 88 grupos operando no país com ampla atuação nos presídios brasileiros, cidades do interior e parceria com PCC e CV.
Segundo o levantamento, com base em informações colhidas ao longo de três anos, a criação das facções menores e os planos de extensão seguem o mesmo modus operandi dos primórdios do PCC e do CV.
Eles têm como base o sistema prisional com a cooptação de detentos em cumprimento de pena nas unidades prisionais do país.
O mapeamento classifica as facções existentes em quatro estágios (iniciais, locais, regionais e nacionais) e quatro níveis de impacto (alto, médio, menor e baixo) considerando fugas, resgates, rebeliões, atentado e enfrentamento ao Estado.
Também foi constatado que existem 1.760 pavilhões que custodiam presos integrantes de facções no Brasil. O Nordeste é a região brasileira com o maior número de grupos criminosos. Veja os números.
Quantidade de facções por região
- Norte — 14 facções
- Nordeste — 46 facções
- Centro-Oeste — 10 facções
- Sudeste — 18 facções
- Sul — 24 facções
Estrutura
- 96% das facções estão presentes nas ruas.
- 98% das facções estão presentes nas unidades prisionais.
- 98% possuem estrutura hierárquica.
- 91% possuem poder financeiro.
- 71% possuem estatuto próprio.
- 73% possuem aliados.
- 92% possuem inimigos.
Impacto na violência
A expansão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) alterou o mapa do crime no Brasil e impacta a taxa de homicídios violentos nos últimos anos, segundo o Atlas da Violência, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado no mês passado.
De acordo com o levantamento, o domínio de territórios tornou-se capital estratégico essencial no caderno do crime organizado. O Atlas mostra que, enquanto as capitais reduziram os homicídios em mais de 60%, as cidades pequenas e médias viraram os novos epicentros da violência.
O Norte e Nordeste enfrentam os processos mais intensos de expansão das facções criminosas, conflitos territoriais e fragilidade da infraestrutura estatal de segurança pública.
Na Bahia, o maior estado nordestino, o CV consolidou sua presença por meio de parcerias com o Comando da Paz e o Bonde do Ajeita, enquanto o PCC se aliou ao Bonde do Maluco e absorveu a antiga facção Tropa do A27.
Segundo o Atlas, também há facções menores que travam disputas locais como a MK (Meiquinho e Kila) que tem como principal rival a KLV (Km Linha Verde), com disputas em Camaçari e na Região Metropolitana e outras como a Mercado do Povo Atitude (MPA) que atua no sul do estado.
No Norte, PCC e CV dividem a influência nos estados. Os grupos criminosos menores também são fortes.
No Pará, estado mais populoso da região, enquanto o CV era hegemônico na Região Metropolitana de Belém e 37 dos 52 municípios paraenses, o PCC focava nas rotas logísticas no Interior do estado (Altamira, Conceição do Araguaia, Parauapebas) — caminhos estratégicos para a tráfico internacional de drogas.
O Comando Classe A (CCA), originário de Altamira, também tem se expandido para Belém, Itaituba, Marabá e Tucuruí, de acordo com o Ipea e o Fórum.
No Amapá, que tem a maior taxa de homicídios do país, 45,7 homicídios por 100 mil habitantes, mais que o dobro da média nacional, há presença de quatro facções.
Além do PCC e CV, o estado concentrava duas organizações criminosas locais extremamente fortes e violentas: Família Terror do Amapá (ligada ao PCC) e União Criminosa Amapaense (UCA), aliada do CV.

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