Ex-comandante da PMDF vê omissão em polícias Judicial e Legislativa nos atos golpistas

Em audiência de custódia, Fábio Vieira disse que não se omitiu para impedir os atos de 8 de janeiro; ele transferiu a culpa pelas invasões

atualizado 24/01/2023 18:11

Fábio Augusto Vieira, comandante-geral da PMDF, reconduzido ao cargo pelo governador Ibaneis Rocha - Metrópoles Reprodução / PMDF

O ex-comandante-geral da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) Fábio Vieira se esquivou de qualquer culpa ou omissão nos atos ocorridos em 8 de janeiro, que levaram à invasão e depredação dos prédios dos Três Poderes. Durante audiência de custódia, realizada no dia 12 de janeiro, o militar afirmou não ter ideais políticos e não ter facilitado qualquer tipo de atos criminosos. Na oportunidade, o oficial ainda ressaltou que não viu a “atuação” de policiais legislativos e judiciários.

Durante a audiência, que o manteve preso preventivamente, o ex-comandante do PMDF afirmou que, após os manifestantes romperem as grades que protegiam os prédios públicos, não houve ajuda dos demais órgãos. A responsabilidade, neste caso, seria das outras forças de apoio.

“O dispositivo da PM era o dispositivo-padrão: uma linha na frente, acompanhando todo o gradil, do MJ (Ministério da Justiça) ao Itamaraty”, disse Fábio Vieira.

Ele ainda complementou que o Batalhão de Choque foi posicionado atrás do gradil. Vieira frisou, em sua declaração, que, após “eles [os terroristas] romperem o gradil, não se viu policiais do Legislativo. Que, no STF, quando chegou, viu um efetivo muito pequeno da polícia judicial”.

Vieira também disse acreditar que, “protocolarmente, como acontecia em outra manifestação, esses efetivos não estavam adequadamente empregados”.

O ex-comandante ainda alegou que não houve, por sua parte, qualquer tentativa de facilitar que os atos criminosos de 8 de janeiro.

Fábio Vieira está preso desde 10 de janeiro por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O conteúdo da audiência de custódia do ex-comandante da PMDF só foi tornado público, em sua íntegra, nesta terça-feira (24/1), nos autos do Inquérito nº 4.923, que tramita no STF.

Exército

Conforme havia informado em seu depoimento, Fábio ressaltou que a permanência de manifestantes no acampamento firmado no Quartel-General do Exército contribuiu muito para os atos de 8 de janeiro. Segundo ele, a PMDF e o GDF tentaram, por duas vezes, desmobilizar o acampamento, “mas não obtiveram êxito por solicitação do próprio Exército”.

“A PMDF chegou a mobilizar cerca de 500 policiais militares, mas o Exército entendeu que era melhor eles fazerem essa desmobilização utilizando seus próprios meios. A permanência do acampamento contribuiu muito para o ocorrido no dia 8. A PMDF tomou conhecimento de toda manifestação ou evento por uma reunião na Secretaria de Segurança Pública, pela Subsecretaria de Operações Integradas. O comandante-geral não participa dessas reuniões, tampouco do planejamento”, frisou.

O depoente destacou ainda que, pelas informações recebidas do Departamento de Operações, “os ânimos dos manifestantes seriam pacíficos”.

“O Departamento de Operações informou que a situação estava OK, que o efetivo empregado era o necessário de acordo com as informações de inteligência que eles tinham. A inteligência informou que o chamado do movimento era grande, mas não havia muita adesão”, enfatizou.

Ele ainda ressaltou que houve grande preocupação por parte do governador do DF afastado, Ibaneis Rocha (MDB). “Houve uma grande preocupação do governador, que transmitiu, por meio do chefe da Casa Civil, o dever de preservar o local; que, se tivesse informação de que haveria uma radicalização, certamente poderia pessoalmente rever o planejamento”, contou na audiência de custódia.

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