Ex-assessora de Flávio é denunciada por suspeita de lavar dinheiro
Raimunda Veras Magalhães é mãe do miliciano Adriano da Nóbrega, morto em 2020, e trabalhou no gabinete do então deputado estadual pelo PP
atualizado
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A ex-assessora do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) Raimunda Veras Magalhães foi denunciada nessa quinta-feira (19/3) pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) por suspeita de lavar dinheiro do filho, Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope, apontado como chefe do Escritório do Crime, grupo de matadores de aluguel.
De acordo com a denúncia pelo MP-RJ, Raimunda integrou uma rede de pessoas e empresas usadas para “receber, movimentar e ocultar valores oriundos do jogo do bicho”, em empresas de fachadas criadas e operadas com essa finalidade.
Raimunda foi assessora do pré-candidato à Presidência de abril de 2016 a novembro de 2018. Recebia um salário de R$ 6.490,35 à época e foi exonerada a pedido em 13 de novembro de 2018. Nesse período, Flávio era deputado estadual pelo PP.
Adriano foi morto em 2020 durante operação policial na Bahia. Em 2005, foi homenageado por Flávio com a medalha Tiradentes, a maior honraria da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Na época, o miliciano estava preso sob acusação de homicídio.
Segundo ação penal, o grupo criminoso persistiu e sofisticou sua estrutura mesmo após a morte de Adriano da Nóbrega. Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Julia Lotufo, então companheira do miliciano, atuava como líder e controlava toda a contabilidade e os ativos da organização criminosa, cujos negócios ilícitos envolviam agiotagem, contravenção e mercado imobiliário irregular.
Conforme o MP-RJ, Adriano exercia domínio sobre áreas de exploração do jogo do bicho em Copacabana, em parceria com o contraventor Bernardo Bello. As apurações indicam que quatro empresas ligadas ao esquema teriam movimentado cerca de R$ 8,5 milhões.
“Entre os empreendimentos de fachada, constam um depósito de bebida, um bar e um restaurante. Os investigadores se depararam com um quiosque de serviços de sobrancelha localizado em um shopping na zona norte, cuja conta registrou, em seis meses, aproximadamente R$ 2 milhões em créditos”, afirma o ministério.
O processo foi encerrado em 2021 após decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF) que invalidaram provas da investigação. Com base em falhas processuais apontadas pela defesa de Flávio, a ação penal foi anulada, sem que o conteúdo das acusações fosse analisado pela Justiça.
Procurado pelo Metrópoles, a assessoria de Flávio afirmou que o senador não é citado, investigado, acusado e não tem absolutamente nenhuma relação com o caso. “O fato de Raimunda ter sido sua assessora, cerca de 10 anos atrás, não vincula o senador a responder pelos atos dela”, diz a nota.
