Flávio Bolsonaro, um candidato sem ideias ou com medo de expô-las
A versão atualizada do pai
atualizado
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Como Flávio Bolsonaro pretende governar o país caso derrote Lula e se eleja presidente da República em outubro próximo?
Atenção, coleguinhas jornalistas: não perguntem a ele. Mas, se perguntarem, não se satisfaçam com a primeira resposta.
Jair Bolsonaro, o golpista condenado e agora enfermo, nunca esteve nem aí para essa história de programa de governo.
Mas quando em 2018, não escondeu de ninguém que lhe faltavam ideias para governar.
No princípio, orientado por seu faro, limitou-se a atacar adversários e a repetir um monte de chavões de sua própria autoria ou da autoria de terceiros.
Como descobriu a tempo que precisaria dizer alguma coisa sobre economia, procurou um economista para falar por ele.
Foi quando entrou em cena o economista Paulo Guedes, que fora professor na Universidade do Chile à época da ditadura do general Augusto Pinochet.
Bolsonaro batizou Guedes de “Posto Ipiranga”, dono do bordão famoso “Pergunta lá no Posto Ipiranga”.
Os coleguinhas deram-se por satisfeitos, mas não só. Empresários, agentes do mercado financeiro e banqueiros, também.
Estava em jogo impedir que o PT voltasse a governar o país. De resto, Guedes jurava que Bolsonaro era um liberal de carteirinha. A direita de todos os matizes aderiu de imediato.
Diga-se a favor de Bolsonaro que ele, em pessoa, jamais escondeu o que era e o que pretendia: “derrubar o sistema” para pôr outro no seu lugar”. Tarefa, no mínimo, para oito anos ou mais.
Palavras ao vento, cada um que as interpretasse ao seu gosto. Mas para Bolsonaro, derrubar o sistema significava derrubar a democracia tal qual a conhecemos. Deu no que vimos.
Flávio é candidato do pai, deverá ao pai os votos que amealhar, mas quer se apresentar como uma versão atualizada do pai. Daí sua preocupação com um programa de governo.
O documento está sendo esboçado, há cinco meses, com consulta a especialistas e formatação pela consultoria GO Associados.
Elenca medidas com apelo popular e outras com diagnóstico sobre problemas a serem enfrentados.
Acontece que o governo Lula instruiu seus aliados a começarem a criticar Flávio desde já para que ele não continue crescendo.
Então, o anúncio do programa do filho do papai ficará para mais adiante, talvez para o final de julho ou começo de agosto.
Se Flávio, hoje, vive um bom momento sem ter que expor suas ideias ou a falta delas, por que estragar o bom momento?
A mais recente pesquisa do Datafolha, divulgada em 7 de março, mostrou Flávio empatado tecnicamente com Lula em simulação de segundo turno: o presidente tem 46% e ele, 43%.
Dirão os antipetistas: Lula venceu em 2022 sem lançar um programa de governo.
Dirão os petistas: depois de ter disputado a Presidência seis vezes, tendo ganho em duas ocasiões, Lula carecia de um programa de governo para se eleger novamente?
Em linhas gerais, quem não conhece o que Lula pensa?
Não foi por falta de um programa que Lula venceu Bolsonaro por uma minúscula diferença de votos. Foi porque não é fácil derrotar um presidente candidato à reeleição e no exercício do cargo.
Flávio saberá, se já não sabe, que não é fácil.


