Estados têm mais de R$ 3 bilhões parados de verba para a segurança
Governo Federal planeja estratégias para ajudar a executar verba do Fundo Nacional de Segurança Pública, mas recurso segue empossado

Os estados e o Distrito Federal somam mais de R$ 3 bilhões de repasses do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) que estão parados nas contas sem ser usados. Isso significa que 63% do recurso repassado desde 2019 não foi utilizado.
Representantes das secretarias estaduais e do Ministério da Justiça (MJ) se reuniram na tarde desta segunda-feira (27/5) em Brasília para discutir o assunto e pensar novas regras de uso da verba. A diretora de gestão do FNSP, Camila Pintarelli, anunciou medidas para aumentar o uso do recurso.
A gestão anterior do MJ, do ministro Flávio Dino, chegou a criar novas regras para desburocratizar o uso do FNSP e ajudar os estados a utilizar a verba. No entanto, mais de um ano depois do novo governo, o valor empossado aumentou. Em fevereiro do ano passado havia R$ 2,47 bilhões de recursos sem usar.
De fato, existe uma dificuldade dos estados em executar a verba repassada no ano mais recente, pois a transferência costuma acontecer próximo do final do ano, impossibilitando sua inclusão nas leis orçamentárias de cada unidade da federação.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNo entanto, chama atenção da equipe do Ministério da Justiça o fato de mais de R$ 1 bilhão dessa verba empossada ser referente a repasses dos anos de 2019 a 2021. Ou seja, mesmo sendo valores transferidos há mais de dois anos, eles ainda não foram utilizados.
O Fundo Nacional de Segurança Pública é formado por recursos das loterias. Essa verba bilionária é usada para apoiar projetos de segurança pública e cidades que possuem guardas municipais. Metade do valor é repassado diretamente aos estados e DF, no modelo chamado “fundo a fundo”, que em tese seria menos burocrático.
Veja os valores empossados por UF:

Criação de núcleo
Diante dessa falta de uso da verba pelos estados, o Ministério da Justiça criou o Núcleo de Aprimoramento da Execução Orçamentária (Naeo).

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Ver todasO objetivo do Naeo é propor diretrizes, revisão, atualização e realizar o acompanhamento dos processos de planejamento e execução orçamentária e financeira do órgão. Além do FNSP, o núcleo também vai se debruçar sobre o Fundo Penitenciário Nacional (Funpen), verba que tem cerca de R$ 1,2 bilhão represados nas contas dos estados.
Entre as medidas anunciadas nesta segunda pela diretora de gestão do FNSP, Camila Pintarelli, estão o auxílio da elaboração das leis orçamentárias estaduais dos estados e a prorrogação do prazo de uso da verba do fundo, que acabaria em dezembro de 2024.
Em entrevista para a imprensa após a reunião, Camila justificou que o uso desse tipo de fundo é recente e que os estados ainda enfrentaram problemas orçamentários com a pandemia da Covid-19.
“Não é que houve uma demora. Na verdade, houve um período de maturação e compreensão de como usar os recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública para financiamento da segurança”, afirmou a diretora.
Novas regras
No ano passado, o Ministério da Justiça criou novas exigências para repassar o FNSP aos estados, além de reforçar as regras já existentes em portarias.
Uma das novas exigências é a obrigatoriedade de cada unidade da federação ter uma estrutura de, pelo menos, cinco servidores para trabalhar na confecção de projetos com o recurso do FNSP.
Entre as exigências já existentes estão a manutenção de dados estatísticos criminais atualizados e não exceder o limite de 3% do efetivo policial lotado em órgãos fora da segurança pública.



