“Epicentro da corrupção”, diz relator da CPMI sobre Careca do INSS
Relator da CPMI do INSS, Alfredo Gaspar apontou o lobista como o “pilar de sustentação” do esquema que desviou recursos da Previdência
atualizado
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O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), afirmou nesta sexta-feira (27/3) que o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, era o “pilar” de um esquema de descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas.
Segundo Gaspar, Antunes atuou como “líder e operador financeiro central” da organização criminosa que desviou recursos da Previdência. As conclusões constam do relatório final apresentado pelo parlamentar ao colegiado.
O parecer ainda será submetido à votação dos membros da comissão. Se for aprovado, o documento será encaminhado a órgãos responsáveis por avaliar e decidir se apresentarão denúncias.
No relatório, Alfredo Gaspar defendeu o indiciamento do lobista por seis crimes:
- organização criminosa;
- corrupção ativa;
- lavagem ou ocultação de bens e valores;
- furto mediante fraude com uso de dispositivo eletrônico;
- fraude eletrônica; e
- inserção de dados falsos em sistema de informações.
Para o relator da CPMI do INSS, o “Careca” era a peça que que conectava diversos núcleos do esquema.
“Ele atuou como o epicentro da corrupção ativa, unindo os núcleos político, institucional e empresarial para a fraude sistemática contra aposentados. Sua atuação era o ‘pilar de sustentação’ que unia o núcleo político, os dirigentes do INSS e as entidades associativas”, afirmou.
O lobista, preso pela Polícia Federal, é apontado por investigadores como facilitador dos desvios em benefícios de aposentados e pensionistas.
Em seu parecer, o relator da CPMI do INSS afirmou que o “Careca” usou uma série de procurações de entidades associativas para negociar acordos junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em troca das negociações, Alfredo Gaspar afirmou que o lobista “operou um caixa de propinas”.
Segundo Gaspar, o lobista tinha influência direta sobre dirigentes da Previdência, o que permitia a continuidade de acordos com as associações representadas por ele “em troca de vantagens indevidas”.
Além das relações com o alto comando do INSS, o deputado mencionou que Antônio Carlos Camilo Antunes pode ter utilizado sua “proximidade” com o Fábio Luís Lula da Silva — filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — para “facilitar seu acesso a órgãos do governo federal”.
“Lulinha”, como é conhecido o filho do presidente, também teve o indiciamento sugerido pelo relator da CPMI do INSS.
“As investigações conduzidas pela Polícia Federal e por esta CPMI revelaram um padrão consistente de viagens coordenadas entre Fábio Luís, Antônio Carlos Camilo Antunes e Roberta Luchsinger para a Península Ibérica, todas realizadas em assentos de primeira classe e durante o auge do esquema de descontos fraudulentos”, afirmou Alfredo Gaspar.
O parlamentar mencionou “pagamentos mensais de R$ 300 mil” de Antunes ao filho de Lula como “contrapartida justamente a facilitação do acesso de Antônio Camilo a ambientes institucionais estratégicos em Brasília”.
“Conclui-se que Antônio Carlos Camilo Antunes atuou como o líder e operador financeiro central de uma organização criminosa estruturada para a fraude institucionalizada contra aposentados. Sua função foi descrita como o ‘epicentro da corrupção ativa’, servindo como o elo vital que unia associações fraudulentas, dirigentes do INSS e núcleos políticos de alto escalão para garantir a manutenção de Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) em troca de vantagens indevidas”, afirmou o relator.
“A sofisticação de sua liderança estendeu-se à blindagem patrimonial internacional com a criação de offshores e à tentativa de sucessão criminosa via seu núcleo familiar, consolidando sua posição como o principal artífice técnico e financeiro de um esquema que drenou bilhões de reais de brasileiros hipervulneráveis”, acrescentou.

